quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Derrame esse seu gosto
Por toda a casa
E jogue na minha cara
Como é bom morrer de amor.
Estampe verdades na parede da sala,
E como quem se agrada,
Faça pouco da minha dor.
Critique minha bagunça,
Jogue fora papéis velhos
E mude tudo de lugar.
Faça vir abaixo meus muros,
E encubra-me de silêncio
Quando o coração teimar.
Faça com que eu me sinta mal comigo mesma
E me vire às avessas, só pra tentar te agradar.
Me ensine esse “Q” de pensar no outro,
E todo esse gosto
De querer saber amar.
Qual graça tem esse sentimento
Que jamais coube em meus dias?
E qual prazer se faz ter
Eterna e única companhia?
Que me perdoe a certeza do óbvio,
Mas quero tirar meu coração desse ócio
E lançar-me na incerteza do dia-a-dia.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Diferente dos outros.
Oco de não se preencher e o
Vazio não ser pouco.
Por não ter.
Por faltar no caber.
Oco.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Não há sorte em seu destino,
A pele é puro corte
E a razão é desatino.
Mas o peito é guerreiro e forte,
E o seu porte é Severino,
E ele vai até onde não pode.
Que é a morte pra esse bravo menino?
Os calos são troféus,
A dor é acalento,
O seu teto é o céu
E a sua cama é de cimento.
Vai, José, vai, João!
Não se desapegue da sua fé,
Não se entregue à comum aceitação.
Cata a tua coragem e segue firme,
Não há quem por direito te recrimine
Por acreditares em teu coração.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Um minuto pra saudade
E uma chance pro perdão.
Dialogar consigo mesmo,
Recordar dos amigos
E pôr a mão no coração.
Um motivo para amar,
Um amor para motivar,
Muita história, muito chão.
Ter o céu juntinho ao mar,
Num horizonte colorido,
Ao alcance da visão.
domingo, 2 de novembro de 2008
Porque o corpo pendia fraco para trás,
Porque a mente estava vazia,
E porque a felicidade tão distante se fez.
Morreu calado,
Sozinho.
Projeto de homem
Num insignificante caminho.
Morreu por dentro,
Porque por fora era outra história.
Sorrir para os amigos,
Abraçar sem querer.
E ele só queria o perigo...
O perigo de morrer.
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Queria tudo como antigamente:
A mesma companhia,
O mesmo jeito de olhar,
O mesmo almoço aos domingos.
Fotos, lembranças, cartas...
Dispensava todas elas.
Desejava o mesmo contato,
O mesmo abraço...
O velho colo.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Sufocou o sentimento o máximo que pode,
Deixou o coração sangrar gota a gota,
Até não poder mais.
Não fazia questão de estancar a ferida,
Nem colocava-lhe remédios para amenizar a dor.
Mas vejam, que cruel é a vida:
O mal de que mais se sofre é o amor.
E que ciúme dessa sua felicidade sem mim.
Meu coração te amou como e quanto podia,
Mas sua mania de liberdade te levou enfim.
E recordo da sua voz,
Das suas mãos balançando enquanto falava,
Dos seus gestos de carinho,
Da maneira como me olhava.
E a lembrança me cobra coisas que eu já não posso ter,
O peito reclama um novo sentimento,
Mas coração e pensamento só dirigem-se a você.
E deito, levanto, não durmo.
O corpo desobedece
E segue a seu bel prazer.
Minha prece é alta, mas só eu a escuto,
E suas portas e muros não me deixam te ver.
Sua falta é sangramento que eu não sei como conter,
A vontade não cala e a tristeza não tem fim.
Você acha absurdo eu ainda te querer?
Bem, na verdade, eu sim.
domingo, 19 de outubro de 2008
Subir pelas paredes e até pular da janela.
Soltou um grito abafado,
Deu cabo da própria coragem
E se escondeu pra sempre dela.
Covarde!
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
E quando a maior surpresa
Acaba sendo um desdém desconcertante,
As borboletas nem chegam perto
E o frio na barriga passa ainda mais distante.
Quando o sorriso já não é mais o mesmo,
Quando a voz soa diferente,
O escárnio é muito e o orgulho vem na frente...
Aí, meu amigo... aaaah...
Aí o coração pede penico.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
A casa hoje está vazia
E a solidão rói a minha alma em pedaços pequenos
A tristeza inunda minha rápida alegria
E as lembranças dos seus beijos são boas doses de veneno
Escuto ruídos de felicidade alheia
E me tranco no quarto para fugir da inveja
Minha essência torna-se podre e feia
Ao muito desejar o que não raro se oculta dela
E nessa luz artificial do meu refúgio
Posso ver o desenho do meu próprio fracasso
As vozes, eu já não as escuto
Mas a desesperança me segura firme pelo braço
E eu pude sim, crer em tudo isso um dia
Mas um vulto de realidade ofuscou minha pobre crença
E não quis caber no peito essa felicidade arredia
Restando apenas essa terminal doença
E afundo a cabeça no travesseiro
Como para amenizar uma dor que não tem cura
Aqui, a solidão chegou primeiro
Mas tem como aliado um dedo de loucura
Loucura esta que apaga os vestígios
De, quem sabe, uma possível reação
Mas meu corpo pede o martírio
Minha alma quer tocar o chão
E enlouqueço em silêncio
Para não atrapalhar a felicidade dos sãos
Sua lembrança é uma dose de arsênio
Que eu tomo aos poucos, até parar meu coração.
domingo, 12 de outubro de 2008
Quem vai falar aos loucos
da sandice que os cerca?
Quem vai abrir os olhos
de quem vê e nada enxerga?
Como estragar a alegria
de quem se contenta com pouco?
E como pedir em dobro
de quem não desfruta dela?
Abafem as vozes, porque no fundo
ninguém quer mesmo falar.
Afastem suas mãos ferozes
do alcance de quem teme se machucar.
Bebam suas próprias certezas
em taças de ouro, porque apenas
os tolos escolhem se enganar.
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
E um só sentimento.
Ele falava da alegria,
Ela falava da dor.
Mas essa desigual poesia
Cantava as faces do mesmo amor.
Para ele sim, para ela não.
Ele queria tocar o céu,
Ela plantava os pés no chão.
Tão opostos a ponto de se repelirem,
Tão desiguais a ponto de se completarem.
Tão orgulhosos a ponto de mentirem,
Tão sozinhos a ponto de se amarem.
Um era a falta do medo,
O outro era a certeza do fenecimento.
O duvidoso era o destino do primeiro,
O segundo não limitava-se ao momento.
Dois corações de pedra
Guardando o instrumento que haveria de quebrá-los.
Duas visões da mesma meta,
O antagonismo a separá-los.
E viver um sem o outro
Era realmente a melhor decisão.
Nem sempre o complemento é o oposto,
Alguns sonhos não têm realização.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Ainda me faz estremecer cada olhar.
Jamais experimentei presença tão vaga,
Que sempre fica aqui sem nunca estar.
Seu toque é o mais macio e inalcançável,
Sua voz é a mais suave e silenciosa.
E eu não aceito essa presença desagradável,
De um amor que pede sem dar nada em troca.
Não me conformo com o errado que em mim é certo,
Não me conformo com o não que deveria ser sim,
Não posso estar longe desejando estar perto,
Não gosto do começo tão junto ao fim.
Como me desapegar desse sentimento?
Como não ser egoísta e não te querer?
Me explica, que com esforço eu aprendo
A não te carregar no peito, a enfim te esquecer.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
domingo, 14 de setembro de 2008
“Tá” certo isso, coração?
Coisa mais sem graça,
Essa de que tudo passa,
Mas o amor é exceção.
Vou restringir a minha fala
Ao que eu guardo na alma,
Porque meu peito só dispara
Pra essa tal de ilusão.
Na minha essência,
Sou eu que dou as cartas,
Mas quando o coração fala,
O assunto é solidão.
Porque então não cala,
Se tão mal o amor lhe trata,
Se com a dor sempre depara
E só conhece rejeição?
Deixa de lado esse infeliz sentimento,
Dispensa o uso do argumento,
Encolhe os ombros, que eu te entendo,
Se abreviares a decepção.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
domingo, 7 de setembro de 2008
Nem ouse, coração,
nem ouse gostar assim.
Nem se atreva, razão,
nem se atreva a fugir de mim.
Não gosto de pedido negado,
meu legado é a intenção.
Se é pra sofrer, eu sofro calado,
prefiro mesmo a solidão.
O amor é muito do abusado.
Por isso nem tente...
aaaah! mas nem invente essa
arte de cão !
Um sentido para ir de encontro ao desconhecido,
Uma mão para parar o antecipado,
Um coração fiel para guardar um segredo.
No dia-a-dia deficiente da sociedade,
Um par de olhos para ver o necessitado,
Um ombro amigo para dar amparo,
Uma dessemelhança da insensibilidade.
Na razão surda, que ignora o sentir,
Uma chance para ser ouvido,
Um momento com o nosso íntimo,
O racional a abstrair.
No pedido mudo, que limita-se ao querer,
A desobediência ao receio,
A imprudência metendo-se no meio,
O instinto decidindo o que fazer.
Complexo cego, surdo, mudo e deficiente,
Somos a alegria insana de uma dor aparente,
Vivemos a dor humana de uma alegria inexistente,
Somos o câncer do mundo e o mundo é pouco pra gente.
Desenhamos nossa própria incerteza,
Pinchamos a razão quando ela nos desagrada,
Encontramos sentido quando já não há clareza,
Fazemos muito, ou não fazemos nada.
Onde queremos, quando e como podemos,
Loucuras perdidas na sanidade,
Somos antídoto de nosso próprio veneno,
Mentiras contadas como se fossem verdade.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
As mãos escondendo a vergonha.
O rosto afundado no colo, a incerteza do propósito,
A vontade dona da razão.
O beijo assobiado no pescoço, a face vítima dos dedos,
O contato perdido que se acha em meio ao silêncio.
Venera.
Sente.
Toca de longe e percebe o ausente.
Espera pelo inesperado.
Multiplicidade atraente.
Ter o impossível e conceber o inexistente.
Dar sem ter e não interromper o intermitente.
Vacilo do coração, insistência da mente.
E continua no escuro, num gesto mudo,
Querendo se fazer escutar por quem
Não é capaz de ouvi-la.
Respectivo surdo, que dá de ombros,
Pega a mochila do chão e vai embora.
Para ver o mundo, para a solidão,
Para o agora.
Coitada dela.
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
°Para Diiiigo... hihi... piada interna !
E me desmonta com sua paciência quando
Eu já nem mereço atenção.
Ele me procura quando eu menos espero
E avisa ao meu ego que ele vai dar em solidão.
Ele embebeda meus pensamentos,
Vicia os meus músculos e amolece o meu corpo.
Ele sabe ser, sem desmerecer, o muito no meu pouco.
E me conhece, e me entende, e me diz verdades
Sem nem me perguntar se eu as quero.
E me abraça, me surpreende, como ninguém,
Como eu anelo.
E tem todo o sorrir que me desconcerta,
Toda palavra certa na hora errada,
Todo jeito de olhar seguro,
Pra dizer pro mundo que a alegria é chegada.
Silencia, conversa com os olhos,
Escuta com o coração.
Evidencia, conforta quando eu choro,
Não disfarça a conexão.
Me entorpece, desobedece sentido,
Juízo e razão.
E minha prece é tê-lo comigo,
Num abraço infinito, numa perfeita junção.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Falamos de amor,
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Eu sempre adorei futebol. Jogar mais do que assistir, embora não tenha lá muita habilidade e intimidade com a bola e não entenda do assunto. Mas o futebol... ah, o futebol sempre foi a minha paixão. Tão especial, que vou falar sobre isso ainda. O que tem me comovido hoje, durante essas Olimpíadas para ser mais precisa, é o vôlei. Eu gostava de jogar vez ou outra, mas sempre o deixei em segundo plano. O de praia, menos ainda que o de quadra, conseguia prender a minha atenção. Mas eu sou brasileira, e parece que cada brasileiro nasce com um gene que não determina para qual esporte, mas que apenas ele deve torcer. Ele passa pela frente da televisão segurando uma caneca de chocolate quente – ou café, assim prefira -, vê o verde e amarelo correndo, saltando, mergulhando ou seja lá o que for, e pára. Olha ainda desinteressado, faz um muxoxo, mas resolve se sentar. Não tem nada melhor passando mesmo. Aí é que, sem perceber, já está dando gritos, sofrendo pela bola que não entrou, pelo saque errado, pelo atleta que já parece exausto para continuar numa maratona. E ele fica lá, roendo as unhas, sentindo o coração parar, às vezes bater mais rápido que o humanamente possível, acordando os vizinhos com os urros altíssimos, ora de alegria, ora de raiva. E quando é vôlei que está passando na TV... ah, quando é vôlei... parece que o mundo vai desabar. É incrivelmente emocionante, como poucas partidas de futebol (realmente algumas são desestimulantes). Eu tenho me sentido em tempo de copa esses dias. Parece que a todo instante o Brasil vai ter uma partida decisiva contra a Argentina e que a qualidade do futebol do país está em jogo. Mas é vôlei, e eu estou ali, sem conseguir me acalmar, gritando, chorando, sofrendo. E como eu sofri hoje, como eu sofri! Ver a Renata e a Talita perderem para a dupla norte-americana Walsh e May – é, atualmente elas formam o melhor time de vôlei de praia do mundo e são as campeãs olímpicas – foi simplesmente terrível. Bloqueia, bloqueia! Vai, Talita, ataca! Não erra o saque, não erra! Eu entrei em desespero. Sentei, deitei, desforrei o colchão, tive esperanças, perdi todas elas. Eu não sou uma boa perdedora. Não quando se trata de ver o Brasil não conquistar algo que foi tão suado, tão sofrido. Eu não tenho nem idéia de como se sente um atleta que vê anos de treinamento serem dissolvidos em apenas alguns minutos mas, como torcedora fiel (sempre que posso), percebo como é frustrante. Você vai se sentar na frente da TV carregando sonhos, expectativas de ver o Brasil subir no pódio e beijar a tão sonhada medalha de ouro. E de repente você vê que acabou, que um erro simples, ou talvez nem tanto assim, vai te fazer esperar por mais quatro anos para ver e sentir tudo de novo. E eu vou esperar, impaciente, sonhadora, até ver o Brasil tentar novamente, sacar com mais firmeza, defender com mais rapidez e não respeitar a equipe que estiver do outro lado. Porque respeito é fundamental, mas é a ousadia que garante a vitória. segunda-feira, 11 de agosto de 2008
domingo, 10 de agosto de 2008
Há vida.
E um tantinho de ilusão.
Esconde.
Evita.
A resistência é em vão.
Há gosto.
Há toque.
Há cheiro na cor.
O ouvido quer.
E a boca pode
falar palavras de amor.
A voz ecoa macia.
O tato tem sabor.
Sinestesia.
Mistura-se?
Já misturou.
quarta-feira, 6 de agosto de 2008
Eu já comecei pelo fim e revivi o começo.
Intenções em entrelinhas ou tudo branco no preto.
Eu já caminhei sozinha e já entrei em desespero.
Minhas emoções estão não sei onde,
Eu mesma me despercebo.
Meu eu de mim se esconde,
No meu tarde ainda é cedo.
Eu me conto mentiras e não me encaro no espelho.
Falo de coisas que não sinto e o que sinto, desconheço.
E há sempre um pouco de mim em cada escuro que vejo.
Eu sou parte de mim e metade do inteiro.
Sou um não quase sim, que só não digo por receio.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
domingo, 3 de agosto de 2008
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Todo mundo tinha um amor,
menos ela. Ah! Isso é sim
de dar inveja...
terça-feira, 29 de julho de 2008
é porque já perdeu mesmo a razão.
Ninguém se joga de um precipício
pensando em tocar o chão.
Todo mundo acha que é leve,
todo mundo quer voar.
E por um prazer tão breve,
acha certo arriscar.
Barriga pra dentro, peito aberto,
pra cair do penhasco da paixão.
E se ele achar que é certo...
Ah! É porque já perdeu
mesmo a razão.
Quando achar a dor atraente,
já não pensa com a mente,
mas com o coração.
Porque só ele, apenas ele,
entende o que não tem explicação.
Catu, madrugada de 23 de julho de 2008
Das vezes em que nem eu mesma sei o que quero dizer.
segunda-feira, 28 de julho de 2008
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Dois pés.
Enxergo apenas dois pés...
terça-feira, 8 de julho de 2008
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Um soluço.
Um choro engolido
Com muito esforço.
O fim.
A escuridão.
O poço.
A lama até os joelhos,
O suor na cara
E as cinzas nos cabelos.
Misturou-se calor,
Incêndio e tempestade.
O que havia de pior.
Inferno.
Calamidade.
Triste, andava triste.
Cabisbaixo, calado.
Só, sentia-se só.
Esquecido, abandonado.
Queria alguém.
Ah! Como queria.
E o tanto que desejava
Era do tamanho da sua solidão.
Os braços que abraçava
Era o vazio da imensidão.
O espaço desocupado.
O tato procurando o chão.
O entortar dos passos,
Dados sem direção.
Um soluço ecoado,
Para prender o choro de solidão.
De todo.
Tão tolo.
Entregou-se ao amor.
Muito.
E pouco.
Amou, amou.
O mínimo.
O máximo.
O que achava certo.
O que não devia.
Quem valia a pena.
Quem não merecia.
Fez de tudo.
Deixou de fazer.
Amou, amou.
Por ser tolo.
Por puro prazer.
Se sinto, não percebo.
Se percebo, eu nego.
Meu amor é meu umbigo
e meu amigo é o meu ego.
domingo, 6 de julho de 2008
sábado, 5 de julho de 2008
*A gargalhada pode ser alta,
mas nada tem de bela se não é verdadeira.
Todo sorriso falso é sem graça e apagado.
Bem...pelo menos assim penso eu.
Sorrir.
Só rir.
Sorria, mas não convencia.
Sorriso forçado não
tem nada de alegria.
Mais antes um punhado
de mau-humor e ironia.
Sorriso espontâneo que
é graça plena, retrato de folia.
E nenhuma boca parece pequena
para um largo sorriso de euforia.
Riso.
Rindo.
Rico em hipocrisia.
Se não quer rir,
não ria.
Pois um riso forçado
não tem nada de alegria.
quarta-feira, 2 de julho de 2008
Ele a olhava de soslaio, como quem não quer nada.
Ela, atenta ao seu olhar, sorria sem graça.
Passava as mãos pelo cabelo, tentando ser charmosa
mas, desajeitada, despenteava-se.
E somente quando sabia que ele desviara
a atenção para qualquer outra coisa,
se atrevia a virar o rosto para admirá-lo.
Ele, a cada 3, ela, a cada 5 segundos.
E, assim sendo, a cada 15 seus olhares se cruzavam.
E era como se saissem faíscas.
De frente, só matematicamente se olhavam,
mas de dentro via-se muito mais.
Era amor, um sentido descabido,
uma mania de querer, mas um querer antigo.
Se amaram desde sempre.
Desde sempre e muito antes.
Se viram em sonhos,
decalques de anseios e expectativas.
E souberam, desde os primeiros 15 segundos,
que era amor, nada mais.
Porém, um amor de prazos, a tempo marcado.
E quando sentiam saudades
e vontade de se amar,
disfarçavam e esperavam
por um novo cronológico olhar.
Eu não posso falar de amor.
Eu não posso sentir amor.
Minha garganta trava,
eu me engasgo com as palavras
e meu coração dói.
Eu não sei amar.
Eu nunca nem amei.
Mas eu não iria mesmo acertar.
Eu sei disso, eu sei.
terça-feira, 1 de julho de 2008
O que fazemos quando alguém parte
e não queremos dar adeus?
Apertamos a mão contra o peito,
engolimos uma lágrima a seco,
ou vamos junto??
O que fazemos quando a saudade é insuportável,
quando ouvir a voz e ver de longe não basta
e as lembranças se tornam repetitivas demais,
tamanha a frequência com que fomos buscá-las??
O que sentimos quando um sonho se perde,
quando somos nós mesmos os perdidos
e os pensamentos nos surpreendem??
Dor, desespero, medo, ou um simples acelerar do coração,
subir ou descer de pressão, ou a velha,
mas sempre presente e incoveniente confusão??
O que sentimos quando os sentimentos nos faltam,
quando os sentidos falham e os instintos nos traem??
Vergonha, arrependimento, raiva, ou só vazio,
que sozinho sabe ser grande coisa??
O que dizemos quando nos faltam as palavras,
as expressões certas na cara e o próprio silêncio fala por si só??
O que dizemos quando o olhar nos denuncia,
o nervosismo nos trai e nem temos
certeza do queremos mesmo dizer??
O que sentimos quando falamos demais,
quando simplesmente não pensamos antes de falar
e toneladas de palavras, olhares maldosos e críticas
nada construtivas saem espontaneamente??
Embaraço, orgulho, um saciamento íntimo
ou vontade de pedir perdão??
O que sentimos quando percebemos que aquele amor
que achávamos ser eterno não era verdadeiro
e descobrimos mentiras nossas e dos outros ??
Ódio, vontade de chorar, ou alívio, por termos
nos livrado a tempo de algo que jamais daria certo??
Cada um reage de um jeito.
Cada um pensa, sente ou mente de um jeito.
Eu... eu vou juntando os pedaços, quebrando
meu coração em mais outros tantos cacos
e depois colando-o de novo.
Eu choro, eu rio, eu sofro, eu me divirto.
Eu sinto muito. Eu desconfio muito. Eu nada sinto.
Eu vivo.
Medo.
Eu tenho me... eu tenho mesmo...
medo...receio.
Eu não quero... eu não desejo...
sofrer... é disso que eu tenho medo.
Eu esc... eu escondo meus sentimentos...
porque eu esc... eu escolhi me esconder no medo.
Mesmo.
sábado, 21 de junho de 2008
Tocaria? Ousaria? Queria tanto sentir!
Um ato, um braço flutuando no espaço, mas...
Foi só meio ato.
A pausa, o receio.
Um gesto de retrocesso, a tristeza do insucesso
Pelo que nem chegou a ser tentativa.
As projeções do “se tivesse coragem”,
A mão fina e covarde que não se atrevia a tocar.
Era só um toque, um choque,
Um rubor de nada, um sorriso sem graça
E um assunto inventado ali, na hora mesmo.
Mas ela ousaria? Se atreveria?
Não, a timidez era maior.
Não agora. Não nunca.
Nem ouse levantar a mão para me dar adeus,
Ou tocar a minha face com um beijo gélido
Para me dizer que se vai.
Fique mais um pouco, talvez não tão pouco,
Fique muito, fique mais.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Mais uma vez, eu fui olhar aquela sua foto. Acho que por puro costume. Às vezes eu a vejo, mas meu olhar não penetra o seu e eu já nem te percebo. É algo automático: minhas mãos sempre buscam na minha bagunça, vasculham a velha caixa de cartas, até encontrarem aquela foto sua. Sem querer, sem perceber, e quando eu me dou conta, já estou admirando o seu sorriso, um pouco torto e forçado, mas ainda assim, lindo. Eu odeio essa sua barba e essa sua cara despreocupada, de quem não está aí para nada. Mas adoro a sensação de paz que você me passa, até mesmo a confusão que você faz se instalar em mim. Sinto falta das suas palavras firmes, da sua certeza de tudo e da sua vontade de abraçar o mundo. Sempre crítico, sempre enxergando além, sempre vendo coisas em mim que ninguém mais era capaz de ver. Tão normal se sentir especial ao seu lado. Tão bom, mas ainda assim desnecessário. Eu não precisava sentir nada de diferente em mim, pois sentir você me bastava. E como uma brisa suave, seu cheiro bate à minha janela e eu ponho a cara na rua para poder senti-lo. É cheiro de amor: leve, suave, mas preciso, conciso, entorpedecedor. E ele me envolve com tamanha exatidão, que posso até sentir os pêlos do nariz arrepiarem. Então eu lembro que um dia esse amor me fez uma visita, radiante, extremamente agradável, porém breve. E na sua passagem, ele me deixou um gosto. Ah...! Que gosto! Era gosto de felicidade. Eu poderia experimentá-lo quantas vezes fosse e ainda assim ele não me enjoaria. Só que ele se cansou de mim e de saciar o meu paladar. Saudade: é só o que me resta. As lembranças me prendem e a memória me empresta: beijos dados, abraços nos fins de noite, carícias, a mão perdida no rosto e os olhos fechados, como para senti-la melhor. Por que você se foi? Por que eu deixei você ir? Eu não poderia, eu não deveria, eu nunca quis.
Era o vazio que sentia.
E não arriscava-se no amor,
Porque amar não sabia.
Conseguiu apaixonar-se.
Foi feliz por um tempo.
Curto tempo, é bom saber.
E depois voltou o vazio e
A insignificância do seu ser.
Experimentou abrir feridas no peito,
Chorar um pouco,
Sofrer alguma frustração.
E aquela dor era o remédio perfeito-
Pensou ela- para o seu coração.
Mas quanto mais se machucava,
Mais triste se apercebia e
Mais vazia se achava.
A dor na verdade era um incômodo,
Que por necessidade ela abraçara.
Queria ser feliz.
Mas como?
Somente a tristeza ela imaginara.
Não sabia de felicidade,
Era leiga no amor.
Mas amor é ambigüidade,
É alegria, ferida e dor.
E a dor muito bem ela conhecia,
Era íntima sua e única companhia.
E viveu então em dores,
Infelicidades e dissabores.
E a alegria?
Não, ela não veio.
Por ser vazia não achou um meio
De vivê-la um dia.
quinta-feira, 19 de junho de 2008
terça-feira, 17 de junho de 2008
terça-feira, 10 de junho de 2008
segunda-feira, 9 de junho de 2008
Como se não bastasse meu secador, que resolveu me deixar na mão, as propagandas agora só falam sobre o “bendito” dia dos namorados. Parece que esse povo faz de propósito, só pra me lembrar que eu sou uma encalhada. “Com a nossa operadora, você e o seu amor falam muito mais por muito menos”. E eu com isso? Amor? Que amor? Tenho ninguém não, meu filho! Pra mim não faz diferença se é mais ou menos, não tenho pra quem ligar mesmo. Nem quem ligue pra mim. Para completar, os programas ficam exibindo casais felizes, que contam como aconteceu o amor com eles, ou então uma daquelas pessoas desesperadas, que resolvem apelar pra mídia e perguntar com a cara mais cínica: “alguém quer namorar comigo?”. Aaaah!! Eu não mereço isso!! Não sou obrigada a ficar vendo esse tipo de coisa. Já basta acordar toda manhã e lembrar que ninguém vai me ligar pra me desejar um bom dia ou para me dizer “te amo, me liga mais tarde”. Mal começou o dia e a TV já falando de amor. O amor não existe, gente! Tão simples entender isso. Só o que acontece é que algumas pessoas têm a sorte de encontrar uma outra idiota que as suporte - aiai, como sou despeitada!! Como é fácil de perceber, eu não tive essa sorte. E já desisti! Prefiro ocupar minha cabeça com outra coisa menos complexa. Meu dia já começou muito ruim pra eu ficar inventando problema. Vou para o ponto de ônibus. “Misera” de “busú” que parecia que nunca ia chegar, tive que ficar 32 minutos esperando. E ainda dei a sorte de sentar na frente de um idiota que ficava falando qualquer merda sobre qualquer coisa que via. E pior: ficava cantando com uma voz ridiculamente fora do ritmo. Ah! Vai à merda, vai! Nunca agradeci tanto a Deus por descer de um ônibus. Pelo menos na faculdade correu tudo bem – fora a demora do ônibus pra eu voltar pra casa. É dose, viu: encalhada e ainda pedreste! Ow vidinha... Chego em casa e a porcaria da internet sem querer funcionar. Aí foi o fim pra mim. Fico sem comer, mas não fico sem internet. E não, isso não é exagero. Verdade mesmo!! Pronto, agora eu estava prestes a matar um. Fiquei torcendo pra alguém esbarrar em mim sem querer, pisar no meu pé, qualquer coisa, pra que eu pudesse descarregar minha raiva. Pena que não dei sorte. Sobrou pra minha mãe mesmo coitada, que ouviu que foi uma beleza. Mal aew, mãe...Fiz de um tudo, até conseguir colocar a miserável da internet pra funcionar. E “aah, que bom!! Pegou!!”. Só assim eu consegui me acalmar um pouco, rir com algumas bobagens ditas no msn e ouvir Laura cantando, sempre ela, com aquela voz que me acalma. “Tô” em paz agora. Mas não abusa, “tá”?? Qualquer coisa e eu explodo de novo.quinta-feira, 5 de junho de 2008
°NÃO, eu NÃO estou amando!!
E ele??
Ah, ele nem sabia,
Nem sequer desconfiava.
Era amado sem perceber
E sem querer a cativava.
Seu silêncio a apreendia.
Queria saber o que ele pensava a seu respeito.
E ela sempre se surpreendia
Quando ele a cumprimentava sem jeito.
Queria poder falar mais um pouco.
Mas o quê??
Ficava sempre calada,
Pois nunca sabia o que dizer.
Sorria tímida, ruborizada.
Ele sorria de volta.
Só isso, mais nada.
E esperava pelo outro dia,
Procurava um motivo para falar,
Inventava de cruzar o seu caminho,
Se não para um sorriso,
Ao menos um olhar.
E quão triste ela ficava
Quando ele não a percebia.
Apenas isso bastava
Para arruinar todo o seu dia.
Mas não podia exigir nada,
Nem sequer pestanejar,
Pois o castigo de amar calada
É sofrer sem reclamar.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Merda de calor, de ônibus que não passa,
de alegria ausente, de vida sem graça.
Merda de tédio, merda de dia,
Merda de eu mesma me fazer companhia.
Merda de ter que cozinhar e depois limpar a bagunça.
Merda de professora, parece filha do que ronca e fuça.
Merda de fumante que vem tragar o cigarro do meu lado,
Merda de criança irritante, de taxista tarado.
Merda de tristeza, merda de ausência,
De amor que não chega, de vazio e de carência.
Merda de tpm que me deixa maluca,
Merda de erro, merda de culpa.
Merda de inflexibilidade, merda de coração duro,
Merda de insensibilidade, merda de orgulho.
Está tudo cagado, uma verdadeira merda.
Ela é sorte no teatro, e falar seu nome me desestressa:
MERDA!!
sábado, 24 de maio de 2008
domingo, 18 de maio de 2008
Um ponto.
Sou o ponto da mentira franca,
que é solução e é entrave.
Eu sou o ponto que incomoda,
o ponto de tensão.
Sou a certeza torta,
que se faz morta e sem atenção.
°Adoro coisa baixo astral
Lá vem ele!
Onde? Cadê?
Ali, ó... Lá, do lado de lá!
Não estou vendo. Como ele é, hein?
Não sei. Também não estou vendo direito.
Ele tá demorando, né?
É...Um pouco. Pronto, chegou!
Ai! Ele me bateu!
Não, não era ele. Foi só uma paixão sem nexo.
Ah tah. Ó, quando esse tal de amor
chegar me avisa, viu?
Tá bom. Vou ficar aqui esperando.
Em todos os tempos:
Estava, estou, estarei, desejo estar.
Quero me enxergar
Em todos os momentos:
O que aconteceu, o que acontece, o que acontecerá.
E quando o estou tornar-se
O que havia estado,
Deixarei de ser quem sou
Para virar resquício do passado.
E se o que eu desejo vier a acontecer,
Você já terá acontecido
E nem irá me perceber.
Porque talvez nada aconteça.
O como é do jeito que eu desejo,
Mas o se é incerteza.
Me tornarei o agora,
Que é presente do passado
E será passado do futuro.
Esquecerei que longe, outrora,
Minhas portas sorridentes
Foram sérios muros.
Irei me expor.
Em parte, apenas.
Abrirei a mente,
Mas fecharei o coração.
Estarei de corpo presente,
Mas minha presença será solidão.
Falarei, pensarei em falar,
Repetirei frases antigas
E muitas outras eu hei de imaginar.
Pontuarei com exclamações,
Colocarei pontos finais
E depois os borrarei em vírgulas.
Farei sem querer e
Querendo farei intrigas.
Mudarei, deixarei minha face,
Minha cor e minha voz.
Abandonarei a maquiagem,
O blush, o rouge, o gloss.
Estarei de cara limpa.
Sujarei os dentes
E me pintarei de tinta.
Rosa, azul, vermelho,
Seja lá qual for o meu humor.
E então eu serei.
É sério que eu seria,
Mas é mentira que eu sou.
Você não entenderia,
Porque onde eu estive,
É onde estarei e
Onde ainda hoje estou.
Porque o que acabou começa,
E o que tem pressa ainda não começou.
O que acontece está acabado,
Porque o presente é passado
Do futuro que chegou.
Então eu me ausentarei.
Sentirei falta e sinto que
Falta nenhuma eu farei.
Frio da janela.
A chuva lá fora
E o vazio dentro dela.
A respiração forte,
A visão embaçada,
Um desenho da morte,
Na janela acariciada.
O vento mudo que leva
Folhas a dançar.
O chão molhado e sujo,
Uma poça pequena a se formar.
Gotas sucessivas,
Que verticalmente caem,
Que se insinuam e respingam
Nos rostos curiosos que na rua saem.
O tempo está chuvoso,
Visto da sua janela de ansiedade.
Mas por dentro ele é outro,
Em seu íntimo há tempestade.
sábado, 17 de maio de 2008
quinta-feira, 15 de maio de 2008

Na foto eu olho cada face, me ligo a cada detalhe e não consigo parar de olhar. E me vem aquela saudade, aquela velha vontade de todas essas faces reencontrar. Eu vejo vários pares de mãos, que um dia unidas, andaram juntas comigo. Eu enxergo meus irmãos, que a vida chama de meus amigos. Penetro olhares que muito me viram, que me decifravam e sempre sabiam o que se passava dentro de mim. Então eu me interrogo, não me conformo: por que a vida é assim? Estou despedaçada! Tento juntar os cacos, mas aquelas mãos amigas já não estão ao meu alcance para me ajudar. Sinto seus olhares conhecidos agora tão distantes, sem hoje poderem me olhar. Recordo o som de suas vozes, que destinos algozes ousaram me roubar. Mas ainda as sinto em posse, pois não há quem se conforme, se amigos não puder escutar. Me lembro de cada conselho, que a seu modo cada um sabia me dar. Tanto! Tanto eu me incomodo por já não podê-los apreciar. Me vem em mente meus erros, minhas falhas, que com paciência ou sem ela, não deixaram de ser apontados por suas mãos amigas. E me vem aquela falta dos nossos risos, nossas brigas. Amores de intrigas! Era tão bom dormir e saber que no outro dia iríamos trocar nossos olhares confidentes, rir dos outros, da vida, de nós mesmos e até do que não tivesse graça. Se bem que com vocês, tudo era alegria, tudo ganhava um significado tão especial, que só hoje posso entender. Eu estava tão habituada a tudo isso, que só a distância me fez perceber. E eu guardo na memória tantas coisas! Rio ao lembrar dos nossos papos no quiosque do colégio, da comida compartilhada na hora do almoço. Marmiteiros! Mas era tudo tão bom. Minhas tardes eram tão deliciosas quando passadas junto a vocês. Quer motivo melhor que esse para ir ao colégio? Aprender e redescobrir ao lado de quem a gente ama é sempre mais prazeroso. Ah! Como não lembrar da nossa união na hora das provas, dos bilhetes que voavam, das vozes que sussurravam e dos lembretes que se ocultavam. Parceria! Meu corpo ainda guarda o delicioso peso dos montinhos nos dias de aniversário. Sempre foi tudo tão bom... Então choro pelas vezes que deixei de dizer que os amava, que vocês sempre foram parte de mim. Choro porque tenho medo de nunca mais sentir o calor de suas mãos amigas, porque não sei viver sozinha e a solidão que mais me dói é a ausência de vocês. Eu pensei que eu era forte, que agüentava até a morte, mas a danada me veio em vida. Descobri que eu sou fraca, pois minha força estava em suas mãos amigas. quarta-feira, 14 de maio de 2008
Chego na sala e a TV desligada, já não escuto as risadas altas e os convites que tantas vezes eu rejeitei: "Anne, vem ver isso!". No quarto, a sua cama vazia, seu bichinho de pelúcia (aquele que eu acho horrível) e algumas coisas da sua faculdade. Em toda a casa, um silêncio triste, que vez ou outra é violado por um suspiro profundo, daqueles que eu dou quando estou realmente entediada ou deprimida. Hoje estou me sentindo dos dois jeitos. Agora demoro ainda mais para conseguir dormir. Me sinto cansada, mas meus olhos parecem não querer se fechar e minha mente não se rende, teimando em pensar em você. Pego o caderno, escrevo umas duas bobagens e finjo me sentir melhor. As noites parecem ter ficado ainda mais longas e o sono mais fugidio. E quando ele vem, tarde, atrasado, consigo descansar por algumas horas. Mas quando ele se vai - ou não - e chega a hora de me levantar, viver o dia sempre repetitivo (que saco!), eu olho para o lado e constato mais uma vez que você não está. Eu sinto os olhos irritarem e percebo a lágrima quente (e teimosa) que quer sair, me mostrando como eu sou frágil, mais do que desejo ser. Tremo os lábios, prendo o choro, mas a cada tentativa de esconder de mim mesma as minhas emoções, sinto o coração apertado, agredido, o peito doído e a garganta travada, com um enorme nó. Não jogo nada para fora e aqui dentro vai ficando tudo acumulado, um verdadeiro entulho de sentimentos. Sinto tanto a sua falta. Lamento pelas vezes que deixei de desfrutar da sua presença única, extremamente agradável. Não vejo a hora de você voltar e nós podermos viver como antes, uma perto da outra, compartilhando nossas tristezas, nossas incertezas e nosso mau-humor. Estou com saudades!!






