quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Derrame esse seu gosto
Por toda a casa
E jogue na minha cara
Como é bom morrer de amor.
Estampe verdades na parede da sala,
E como quem se agrada,
Faça pouco da minha dor.
Critique minha bagunça,
Jogue fora papéis velhos
E mude tudo de lugar.
Faça vir abaixo meus muros,
E encubra-me de silêncio
Quando o coração teimar.
Faça com que eu me sinta mal comigo mesma
E me vire às avessas, só pra tentar te agradar.
Me ensine esse “Q” de pensar no outro,
E todo esse gosto
De querer saber amar.
Qual graça tem esse sentimento
Que jamais coube em meus dias?
E qual prazer se faz ter
Eterna e única companhia?
Que me perdoe a certeza do óbvio,
Mas quero tirar meu coração desse ócio
E lançar-me na incerteza do dia-a-dia.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Oco

Oco de bater e ouvir um barulho
Diferente dos outros.
Oco de não se preencher e o
Vazio não ser pouco.
Por não ter.
Por faltar no caber.
Oco.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O bravo

O caminho é de morte,
Não há sorte em seu destino,
A pele é puro corte
E a razão é desatino.
Mas o peito é guerreiro e forte,
E o seu porte é Severino,
E ele vai até onde não pode.
Que é a morte pra esse bravo menino?
Os calos são troféus,
A dor é acalento,
O seu teto é o céu
E a sua cama é de cimento.
Vai, José, vai, João!
Não se desapegue da sua fé,
Não se entregue à comum aceitação.
Cata a tua coragem e segue firme,
Não há quem por direito te recrimine
Por acreditares em teu coração.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Momento

Um instante com o espelho,
Um minuto pra saudade
E uma chance pro perdão.
Dialogar consigo mesmo,
Recordar dos amigos
E pôr a mão no coração.
Um motivo para amar,
Um amor para motivar,
Muita história, muito chão.
Ter o céu juntinho ao mar,
Num horizonte colorido,
Ao alcance da visão.

domingo, 2 de novembro de 2008

Só queria

E desejou morrer.
Porque o corpo pendia fraco para trás,
Porque a mente estava vazia,
E porque a felicidade tão distante se fez.
Morreu calado,
Sozinho.
Projeto de homem
Num insignificante caminho.
Morreu por dentro,
Porque por fora era outra história.
Sorrir para os amigos,
Abraçar sem querer.
E ele só queria o perigo...
O perigo de morrer.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Saudoso

Queria tudo como antigamente:
A mesma companhia,
O mesmo jeito de olhar,
O mesmo almoço aos domingos.
Fotos, lembranças, cartas...
Dispensava todas elas.
Desejava o mesmo contato,
O mesmo abraço...
O velho colo.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Ele vai dizer que o destino é o culpado, que a vida é muito injusta e que toda felicidade custa um pouquinho de dor. Mas vai se arrepender por não ter vivido ao máximo e não ter percebido que ser sozinho era pior. Vai chorar amargamente por tudo que deixou de lado, pelos abraços rejeitados e pela falta de amor. E não vai se perdoar por ter sido tão covarde, por perceber muito tarde que poderia fazer melhor.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Letal

°Ah, não me veio à mente nenhum título melhor...

Sufocou o sentimento o máximo que pode,
Deixou o coração sangrar gota a gota,
Até não poder mais.
Não fazia questão de estancar a ferida,
Nem colocava-lhe remédios para amenizar a dor.
Mas vejam, que cruel é a vida:
O mal de que mais se sofre é o amor.

Que saudade de você em meus dias,
E que ciúme dessa sua felicidade sem mim.
Meu coração te amou como e quanto podia,
Mas sua mania de liberdade te levou enfim.
E recordo da sua voz,
Das suas mãos balançando enquanto falava,
Dos seus gestos de carinho,
Da maneira como me olhava.
E a lembrança me cobra coisas que eu já não posso ter,
O peito reclama um novo sentimento,
Mas coração e pensamento só dirigem-se a você.
E deito, levanto, não durmo.
O corpo desobedece
E segue a seu bel prazer.
Minha prece é alta, mas só eu a escuto,
E suas portas e muros não me deixam te ver.
Sua falta é sangramento que eu não sei como conter,
A vontade não cala e a tristeza não tem fim.
Você acha absurdo eu ainda te querer?
Bem, na verdade, eu sim.

domingo, 19 de outubro de 2008

Frouxo

Tentou fugir por todos os lados,
Subir pelas paredes e até pular da janela.
Soltou um grito abafado,
Deu cabo da própria coragem
E se escondeu pra sempre dela.
Covarde!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Me rendo

E quando a maior surpresa
Acaba sendo um desdém desconcertante,
As borboletas nem chegam perto
E o frio na barriga passa ainda mais distante.
Quando o sorriso já não é mais o mesmo,
Quando a voz soa diferente,
O escárnio é muito e o orgulho vem na frente...
Aí, meu amigo... aaaah...
Aí o coração pede penico.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

A casa hoje está vazia
E a solidão rói a minha alma em pedaços pequenos
A tristeza inunda minha rápida alegria
E as lembranças dos seus beijos são boas doses de veneno


Escuto ruídos de felicidade alheia
E me tranco no quarto para fugir da inveja
Minha essência torna-se podre e feia
Ao muito desejar o que não raro se oculta dela


E nessa luz artificial do meu refúgio
Posso ver o desenho do meu próprio fracasso
As vozes, eu já não as escuto
Mas a desesperança me segura firme pelo braço


E eu pude sim, crer em tudo isso um dia
Mas um vulto de realidade ofuscou minha pobre crença
E não quis caber no peito essa felicidade arredia
Restando apenas essa terminal doença


E afundo a cabeça no travesseiro
Como para amenizar uma dor que não tem cura
Aqui, a solidão chegou primeiro
Mas tem como aliado um dedo de loucura


Loucura esta que apaga os vestígios
De, quem sabe, uma possível reação
Mas meu corpo pede o martírio
Minha alma quer tocar o chão


E enlouqueço em silêncio
Para não atrapalhar a felicidade dos sãos
Sua lembrança é uma dose de arsênio
Que eu tomo aos poucos, até parar meu coração.

domingo, 12 de outubro de 2008

Quem vai falar aos loucos
da sandice que os cerca?
Quem vai abrir os olhos
de quem vê e nada enxerga?
Como estragar a alegria
de quem se contenta com pouco?
E como pedir em dobro
de quem não desfruta dela?
Abafem as vozes, porque no fundo
ninguém quer mesmo falar.
Afastem suas mãos ferozes
do alcance de quem teme se machucar.
Bebam suas próprias certezas
em taças de ouro, porque apenas
os tolos escolhem se enganar.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Opostos

Para mi vecina... Não, eu não sou lésbica! Mas ela disse que se identificou.
Dois corações, dois versos
E um só sentimento.
Ele falava da alegria,
Ela falava da dor.
Mas essa desigual poesia
Cantava as faces do mesmo amor.
Para ele sim, para ela não.
Ele queria tocar o céu,
Ela plantava os pés no chão.
Tão opostos a ponto de se repelirem,
Tão desiguais a ponto de se completarem.
Tão orgulhosos a ponto de mentirem,
Tão sozinhos a ponto de se amarem.
Um era a falta do medo,

O outro era a certeza do fenecimento.
O duvidoso era o destino do primeiro,
O segundo não limitava-se ao momento.
Dois corações de pedra
Guardando o instrumento que haveria de quebrá-los.
Duas visões da mesma meta,
O antagonismo a separá-los.
E viver um sem o outro
Era realmente a melhor decisão.
Nem sempre o complemento é o oposto,
Alguns sonhos não têm realização.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Tentando

Ainda me toca cada palavra,
Ainda me faz estremecer cada olhar.
Jamais experimentei presença tão vaga,
Que sempre fica aqui sem nunca estar.

Seu toque é o mais macio e inalcançável,
Sua voz é a mais suave e silenciosa.
E eu não aceito essa presença desagradável,
De um amor que pede sem dar nada em troca.

Não me conformo com o errado que em mim é certo,
Não me conformo com o não que deveria ser sim,
Não posso estar longe desejando estar perto,
Não gosto do começo tão junto ao fim.

Como me desapegar desse sentimento?
Como não ser egoísta e não te querer?
Me explica, que com esforço eu aprendo
A não te carregar no peito, a enfim te esquecer.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Ele era um decalque mal feito da incerteza mais angustiante. O joelho esquerdo sob a perna direita, as mãos largadas no colo, os olhos esquecidos sobre o porta-retrato. Que tela poderia expressar tamanha vontade do outro e tamanho não saber? Que verso poderia apagar a reminiscência de tempos felizes e tirar da reticência a resposta que tanto esperava? Calou-se. Calou-se havia doze minutos. Calou-se durante uma vida inteira. E, ainda assim, não ouviu barulhos, ruídos que fossem de reciprocidade, sequer um eco de sim. Calou-se. Porque, se fosse falar, sua garganta secaria e as lágrimas lhe molhariam o rosto.

domingo, 14 de setembro de 2008

Palhaçada!

“Tá” certo isso, coração?
Coisa mais sem graça,
Essa de que tudo passa,
Mas o amor é exceção.
Vou restringir a minha fala
Ao que eu guardo na alma,
Porque meu peito só dispara
Pra essa tal de ilusão.
Na minha essência,
Sou eu que dou as cartas,
Mas quando o coração fala,
O assunto é solidão.
Porque então não cala,
Se tão mal o amor lhe trata,
Se com a dor sempre depara
E só conhece rejeição?
Deixa de lado esse infeliz sentimento,
Dispensa o uso do argumento,
Encolhe os ombros, que eu te entendo,
Se abreviares a decepção.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Eu não tenho o menor talento e a menor pretensão a ser conselheira/psicóloga/terapeuta – amorosa. Mas parece que o mundo inteiro, de certa forma, vem chorar as mágoas no ombro da encalhada aqui. Não sei se não sou suficientemente grossa e sincera quando digo que o amor sem solução e relacionamentos que nunca dão certo não fazem parte dos meus assuntos preferidos – eles estão no topo da lista de coisas que menos gosto de conversar -, mas alguém sempre arruma um jeitinho de desabafar comigo. Que mania as pessoas têm de falar de sua intimidade com os outros. Sou completamente contra dizer o que se sente por fulaninho, como seu coração dispara quando o menino lindo, moreno, alto e forte da sua faculdade passa do seu lado. Ah, dos meus problemas, sentimentos e rejeições cuido eu. Acho extremamente desconfortável conviver com alguém que sabe das minhas fraquezas, dos meus medos, dos meus sonhos. Fico com a impressão de que algumas frases e pensamentos soltos têm a ver com aquela noite em que falei como me sentia triste por estar sozinha, como desejava encontrar alguém parecido comigo, que me entendesse só de me olhar. Sem contar na vergonha de saber que alguém me viu mal, fraca – odeio me sentir assim e mais ainda deixar transparecer. Me sinto humilhada, eu perco meu orgulho. Sempre me arrependi das vezes em que falei sobre a situação da minha vida - amorosa ou não - com alguém. Uma vez, chorei na frente do homem que vende tapiocas aqui no bairro. Estava muito deprimida porque minha irmã havia sofrido um acidente e desabei na frente dele. Tudo bem que ele me animou – embora isso não resolvesse o meu problema -, mas acontece que eu sou louca por tapioca e vou comprar quase sempre. Fico pensando o que ele deve imaginar a cada vez que me vê. Às vezes acho que ele se diz: “coitada da bichinha”. Mas o pior mesmo é quando alguém sabe da sua vida amorosa. Iiiiih, é terrível! Meu trauma vem da infância, quando minha irmã falou bem alto na fila escola que eu era apaixonada por um menino da minha sala. Soma-se a isso a inconveniência de muitos. Que coisa chata a pessoa vir te perguntar: “e aí, como é que ‘tá’ seu coração? Já resolveu o problema?”. Saco! Um sacrifício miserável para esquecer o desastre completo que virou meu “sentir” e vem um bendito me lembrar. Não é difícil de entender que se eu estivesse afim de falar sobre isso eu mesma começaria a conversa, não é? Por essas e outras, não me abro com ninguém. Não confio nas pessoas, na discrição que elas fingem ter. Não sei se sou curiosa ou observadora demais, mas percebo de longe quando amigas conversam com os olhos quando certa pessoa passa: “é ele, amiga, é ele”. Tão na cara. E que chato, chato mesmo passar horas falando da sua vida íntima. O que é que eu tenho a ver com isso? E ainda tem gente que acha ruim quando eu respondo sincera e secamente quando sou questionada sobre os sentimentos ou não do outro: “ele (a) não gosta de você, não seja idiota”. Não quer saber, não me pergunte. Melhor... Não me fale, por favor, desse bendito sentimento que é o amor. Eu não estou interessada no fim do seu namoro, nas suas paqueras do trabalho, na quantidade de pessoas com que você ficou. Eu não sei porque ainda falo – às vezes e com pouquíssimas pessoas - que sinto falta de um namorado. Todo mundo vira santo casamenteiro e me arranja um monte de pretendentes, que nem sequer sabem que eu existo. Odeio isso, odeio! O coração é meu, a insensibilidade e a má sorte no amor são minhas e, portanto, deles cuido EU!

domingo, 7 de setembro de 2008

Nem ouse, coração,
nem ouse gostar assim.
Nem se atreva, razão,
nem se atreva a fugir de mim.
Não gosto de pedido negado,
meu legado é a intenção.
Se é pra sofrer, eu sofro calado,
prefiro mesmo a solidão.
O amor é muito do abusado.
Por isso nem tente...
aaaah! mas nem invente essa
arte de cão !

*Não sabia que título colocar... =/
Na busca cega de cada esquina,
Um sentido para ir de encontro ao desconhecido,
Uma mão para parar o antecipado,
Um coração fiel para guardar um segredo.
No dia-a-dia deficiente da sociedade,
Um par de olhos para ver o necessitado,
Um ombro amigo para dar amparo,
Uma dessemelhança da insensibilidade.
Na razão surda, que ignora o sentir,
Uma chance para ser ouvido,
Um momento com o nosso íntimo,
O racional a abstrair.
No pedido mudo, que limita-se ao querer,
A desobediência ao receio,
A imprudência metendo-se no meio,
O instinto decidindo o que fazer.
Complexo cego, surdo, mudo e deficiente,
Somos a alegria insana de uma dor aparente,
Vivemos a dor humana de uma alegria inexistente,
Somos o câncer do mundo e o mundo é pouco pra gente.
Desenhamos nossa própria incerteza,
Pinchamos a razão quando ela nos desagrada,
Encontramos sentido quando já não há clareza,
Fazemos muito, ou não fazemos nada.
Onde queremos, quando e como podemos,
Loucuras perdidas na sanidade,
Somos antídoto de nosso próprio veneno,
Mentiras contadas como se fossem verdade.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

O certo do desgosto, a pele pedindo o oposto,
As mãos escondendo a vergonha.
O rosto afundado no colo, a incerteza do propósito,
A vontade dona da razão.
O beijo assobiado no pescoço, a face vítima dos dedos,
O contato perdido que se acha em meio ao silêncio.
Venera.
Sente.
Toca de longe e percebe o ausente.
Espera pelo inesperado.
Multiplicidade atraente.
Ter o impossível e conceber o inexistente.
Dar sem ter e não interromper o intermitente.
Vacilo do coração, insistência da mente.
E continua no escuro, num gesto mudo,
Querendo se fazer escutar por quem
Não é capaz de ouvi-la.
Respectivo surdo, que dá de ombros,
Pega a mochila do chão e vai embora.
Para ver o mundo, para a solidão,
Para o agora.
Coitada dela.
Vive a gosto de quem não lhe gosta.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Espera

Estava aqui, esperando silenciosa que você me fizesse embarcar em cada ida e vinda que são suas palavras. Que me fizesse experimentar de novo o sentir de perto, o enigma dos olhares, a boca semicerrada, o querer... a nossa vontade. Eu gosto quando você finge não me ver. Juro a você que eu gosto. Não sei explicar, mas há algo de orgulhoso e ao mesmo tempo engraçado nesse não falar primeiro, não deixar transparecer o que se sente, calar a voz da alma. E você cala tão bem. E quase nem me escuta. Mas eu gosto. Juro a você que eu gosto. É bom sentir, é bom tentar adivinhar. Já não me fale, não me avise. Mas me deixe te ver, ainda que do outro lado, num olhar atravessado, numa espera, numa procura, talvez. Se chegar, me faça surpresa, não acenda a luz e tire os sapatos. Eu vou saber, pelo som abafado dos seus passos, pelo jeito que você balança os braços, que a minha espera acabou. Seria a chegada do certo, a insistência do errado ou até mesmo um simples medo da solidão? Acho que não vou saber nunca. Limito-me a sentir e a falar que sim, terá fim a minha espera. E quando meu coração ousar sentir dúvidas, me abrace, me diga que eu sou uma fraca e me faça embarcar, por favor, nas idas e vindas que são suas palavras.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

°Para Diiiigo... hihi... piada interna !

Ele arranha a minha pele com sua mão firme
E me desmonta com sua paciência quando
Eu já nem mereço atenção.
Ele me procura quando eu menos espero
E avisa ao meu ego que ele vai dar em solidão.
Ele embebeda meus pensamentos,
Vicia os meus músculos e amolece o meu corpo.
Ele sabe ser, sem desmerecer, o muito no meu pouco.
E me conhece, e me entende, e me diz verdades
Sem nem me perguntar se eu as quero.
E me abraça, me surpreende, como ninguém,
Como eu anelo.
E tem todo o sorrir que me desconcerta,
Toda palavra certa na hora errada,
Todo jeito de olhar seguro,
Pra dizer pro mundo que a alegria é chegada.
Silencia, conversa com os olhos,
Escuta com o coração.
Evidencia, conforta quando eu choro,
Não disfarça a conexão.
Me entorpece, desobedece sentido,
Juízo e razão.
E minha prece é tê-lo comigo,
Num abraço infinito, numa perfeita junção.

Imaginário perfeito

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Desafiando

Eu vou dançar balé no meio-fio,
me encontrar com a dor e o desvario,
beijar a morte e tentar fugir.
Eu vou desafiar minha própria sorte,
rasgar meu peito em fundo corte
e pôr nele razão de existir.
Eu vou andar silenciosa pelos fundos de casa,
cavar um buraco e enterrar meu coração.
Eu vou subir na torre mais alta,
andar em vidro descalça
e apagar fogo com a mão.
Eu vou beber água de esgoto,
ter algum gesto um tanto escroto,
cortar os pulsos e sequestrar algum refém.
Eu vou agir por puro impulso,
dar ao amor um certo custo
e então negociá-lo com alguém.
Eu vou subornar meus sentimentos,
chantagear meus pensamentos
e brigar de vez com a razão.
Num fim de tarde, vou pular do meu apartamento,
ter um segundo de arrependimento,
e dar por fim com a cara no chão.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Nossa oferta

Você me olha,
afaga o meu cabelo,
me dá um beijo no queixo
e me fala sem falar.
Eu entendo,
transmissão de pensamento,
se eu me vejo em seus olhos,
a idéia é singular.
Falamos de amor,
só de amor.
Como ninguém é capaz de falar,
como ninguém é capaz de ouvir.
Sentimos amor,
só amor.
Como ninguém é capaz de ofertar,
como ninguém é capaz de sentir.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

O resultado de uma pessoa que tem se desesperado nessas Olimpíadas



Eu sempre adorei futebol. Jogar mais do que assistir, embora não tenha lá muita habilidade e intimidade com a bola e não entenda do assunto. Mas o futebol... ah, o futebol sempre foi a minha paixão. Tão especial, que vou falar sobre isso ainda. O que tem me comovido hoje, durante essas Olimpíadas para ser mais precisa, é o vôlei. Eu gostava de jogar vez ou outra, mas sempre o deixei em segundo plano. O de praia, menos ainda que o de quadra, conseguia prender a minha atenção. Mas eu sou brasileira, e parece que cada brasileiro nasce com um gene que não determina para qual esporte, mas que apenas ele deve torcer. Ele passa pela frente da televisão segurando uma caneca de chocolate quente – ou café, assim prefira -, vê o verde e amarelo correndo, saltando, mergulhando ou seja lá o que for, e pára. Olha ainda desinteressado, faz um muxoxo, mas resolve se sentar. Não tem nada melhor passando mesmo. Aí é que, sem perceber, já está dando gritos, sofrendo pela bola que não entrou, pelo saque errado, pelo atleta que já parece exausto para continuar numa maratona. E ele fica lá, roendo as unhas, sentindo o coração parar, às vezes bater mais rápido que o humanamente possível, acordando os vizinhos com os urros altíssimos, ora de alegria, ora de raiva. E quando é vôlei que está passando na TV... ah, quando é vôlei... parece que o mundo vai desabar. É incrivelmente emocionante, como poucas partidas de futebol (realmente algumas são desestimulantes). Eu tenho me sentido em tempo de copa esses dias. Parece que a todo instante o Brasil vai ter uma partida decisiva contra a Argentina e que a qualidade do futebol do país está em jogo. Mas é vôlei, e eu estou ali, sem conseguir me acalmar, gritando, chorando, sofrendo. E como eu sofri hoje, como eu sofri! Ver a Renata e a Talita perderem para a dupla norte-americana Walsh e May – é, atualmente elas formam o melhor time de vôlei de praia do mundo e são as campeãs olímpicas – foi simplesmente terrível. Bloqueia, bloqueia! Vai, Talita, ataca! Não erra o saque, não erra! Eu entrei em desespero. Sentei, deitei, desforrei o colchão, tive esperanças, perdi todas elas. Eu não sou uma boa perdedora. Não quando se trata de ver o Brasil não conquistar algo que foi tão suado, tão sofrido. Eu não tenho nem idéia de como se sente um atleta que vê anos de treinamento serem dissolvidos em apenas alguns minutos mas, como torcedora fiel (sempre que posso), percebo como é frustrante. Você vai se sentar na frente da TV carregando sonhos, expectativas de ver o Brasil subir no pódio e beijar a tão sonhada medalha de ouro. E de repente você vê que acabou, que um erro simples, ou talvez nem tanto assim, vai te fazer esperar por mais quatro anos para ver e sentir tudo de novo. E eu vou esperar, impaciente, sonhadora, até ver o Brasil tentar novamente, sacar com mais firmeza, defender com mais rapidez e não respeitar a equipe que estiver do outro lado. Porque respeito é fundamental, mas é a ousadia que garante a vitória.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Danou-se!

Não necessariamente ouvir.
Não necessariamente tocar.
O necessário torna-se dispensável
quando o inevitável começa a se desenhar.
E tapam-se ouvidos,
calam-se bocas,
aceleram-se corações.
Nervosismo.
Garganta seca.
Palpitações.
E por um segundo, quase interminável,
parece que a gente vai morrer.
As mãos tremem demais,
o corpo perde a coordenação,
os pés caminham sem perceber.
Perde-se a fala,
ganha-se a vergonha,
e tudo é muito para fazer sorrir.
A mente que não se confunda,
o coração que não se oponha,
porque amar é querer sem pedir.

domingo, 10 de agosto de 2008

Sinestesia

Habita.
Há vida.
E um tantinho de ilusão.
Esconde.
Evita.
A resistência é em vão.
Há gosto.
Há toque.
Há cheiro na cor.
O ouvido quer.
E a boca pode
falar palavras de amor.
A voz ecoa macia.
O tato tem sabor.
Sinestesia.
Mistura-se?
Já misturou.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Partes minhas

Um pouco de mim em cada muito que deixo.
Eu já comecei pelo fim e revivi o começo.
Intenções em entrelinhas ou tudo branco no preto.
Eu já caminhei sozinha e já entrei em desespero.

Minhas emoções estão não sei onde,
Eu mesma me despercebo.
Meu eu de mim se esconde,
No meu tarde ainda é cedo.

Eu me conto mentiras e não me encaro no espelho.
Falo de coisas que não sinto e o que sinto, desconheço.
E há sempre um pouco de mim em cada escuro que vejo.
Eu sou parte de mim e metade do inteiro.
Sou um não quase sim, que só não digo por receio.
Por medo da desilusão, meu afim é o segredo.
Eu sou meio, fim e começo.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Apressada

Desceu apressada as escadas,
passando os degraus de dois
em dois... esbaforida, tropeçou
numa coisa chamada amor...
arregaçou-se toda lá embaixo.

domingo, 3 de agosto de 2008

Vire-se!

Distância para tentar esquecer.
Saudade para lembrar que
deixar de amar é impossível.
Como algo pode ser maior
que o próprio querer e
ultrapassar barreiras do intransponível?
Deixa, coração, porque já é tarde
para você lutar.
Passou o tempo de ser apenas paixão.
Tens a obrigação de agora amar.
E ainda que ele lhe dilacere os músculos,
não recue, não se renda.
Por mais que amar pareça absurdo,
a razão que atenue, a mente que entenda.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Invejosa

Todo mundo tinha um amor,
menos ela. Ah! Isso é sim
de dar inveja...

Autoritária

Queria mandar até no coração.
Vê se pode!?

terça-feira, 29 de julho de 2008

Ela reclama da minha bagunça, da minha preguiça, do meu sono durante a tarde, da minha falta de interesse pelas coisas que diz, das minhas grosserias e da minha indisposição para conversar. Ela anda mal-humorada pela casa, me grita, me abraça, e sabe como me ganhar. Agora me diga: isso lá é uma irmã? Isso é uma esposa! E eu sou o marido oprimido. Oh vida! Oh vida!

Irracional

E quando achar que é certo,
é porque já perdeu mesmo a razão.
Ninguém se joga de um precipício
pensando em tocar o chão.
Todo mundo acha que é leve,
todo mundo quer voar.
E por um prazer tão breve,
acha certo arriscar.
Barriga pra dentro, peito aberto,
pra cair do penhasco da paixão.
E se ele achar que é certo...
Ah! É porque já perdeu
mesmo a razão.
Quando achar a dor atraente,
já não pensa com a mente,
mas com o coração.
Porque só ele, apenas ele,
entende o que não tem explicação.

Catu, madrugada de 23 de julho de 2008

Desculpe, sono, se meu corpo já não lhe atende e insiste em perambular seminu pela casa. Desculpe, coração, por esse vazio inexplicável e essa falta de querer. Hoje eu vou me dar o direito de me trancar no banheiro, me encarar demoradamente no espelho, e chorar. Sem nojo, vou me sentar no chão frio, abraçar os joelhos... e chorar. Um choro abafado, inaudível, secreto. E essa tristeza entre paredes, sem testemunha, sem prova, ao mesmo tempo que me acalenta, me apavora. Eu vou me reencontrar com meus medos, meu passado, meu nada. Vou dar de frente comigo mesma, até adormecer sentada, chorosa, recostada na privada.

Me muito tudo

Das vezes em que nem eu mesma sei o que quero dizer.

Me perdi o medo.
Me perdi, me perco.
Na história, no conto,
no enredo.
Me encontrei saudade.
Encontrei, não vejo.
A lembrança, a certeza,
o devaneio.
Me achei destino.
Me achei e sigo.
Certo, apressado, conciso.
Me escondi distância.
Escondi, não acho.
Em lugar algum.
Nem em cima,
nem embaixo.
Me dei pra escrever errado,
pra acompanhar meu pensamento.
Que é torto, desalinhado,
e impalpável como o vento.

Desculpe-me pela mediocridade das palavras, pela falta de coragem para olhar nos olhos, pelos meios sentidos, nem sempre bem entendidos, nem sempre captados por você como eu esperava que fossem. Eu não vou dizer que passei horas deitada, pensando na melhor maneira de dizer isso, porque não o fiz. Eu apenas achei melhor dormir, descansar corpo e mente, para poder lhe falar. Mas o meu medo, forte e cada vez mais inoportuno, permite-me apenas sussurrar palavras (que ficariam até românticas se fossem ditas ousadamente ao pé do ouvido), falando mais para dentro do que para fora. Não me cabe o atrevimento de pegar na sua mão (seria até aceitável se eu vivesse nos anos 50), virar, ainda que rapidamente, de maneira atropelada mesmo, e dizer: é você que eu quero. Talvez eu não esteja pronta para levar um não, ou talvez e mais grave ainda, não tenha estrutura para ouvir um sim, que mudaria por completo a minha vida. Eu quero muito que as pessoas se doem a mim, mas pouco sei me doar a elas. Não é diferente nesse caso. Odeio essa mania que eu tenho de me direcionar aos outros apenas quando eles me parecem úteis para algo. Sou egoísta, não nego. Mas às vezes tenho nojo de mim por isso (não, não é sempre que isso me envergonha). Não penso que seja direito tentar amar agora, que ainda não aprendi a ser menos eu e mais o outro. Agora, que por simples egoísmo, fui levada a te falar (ou escrever) o que sinto. No estado em que me encontro, se espero uma reciprocidade, não é por querer te fazer feliz, mas por achar que você acrescentaria a felicidade que falta à minha vida. E isso não é ser egoísta? Penso eu que sim. A maneira mais fria e egoísta de desejar alguém. E é assim que eu te desejo. Não sei se por falta de outra pessoa a quem desejar, por desocupação do meu coração vadio, ou por capricho da minha mente, que sempre teima em se voltar para quem obviamente só irá perturbá-la futuramente. Não é aceitável. Não é digno. Não é puro. Mas desejo é desejo, ora essa! Das duas, uma: ou ele acaba, ou vira amor. Só não me pergunte qual é. O “ou” é o espaço mais vago entre a felicidade e a desgraça.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Realização

E de repente, tudo passou
a ter sentido.
A fala incoerente
já nem chega ao ouvido.
E o que sempre esteve ausente,
parece há muito conhecido.
Fica o coração, vai a mente.
Porque de amor,
é ele o entendido.
E o que nunca era,
inesperadamente passou a ser.
Realizou-se sua quimera
de encontrar seu bem-querer.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Dois pés

Dois pés descalços nos alfasto.
Dois pés.
Adoraria que fossem quatro.
Ei, quem aí sabe de amor?
Queria saber como é do outro lado.
Onde o caminho termina.
Ou onde ele começa de fato.
Nos lados, embaixo, em cima.
Tudo ao meu redor está vago.
De ser visto de longe.
De estar desocupado.
Enxergo apenas dois pés...
Dois pés descalços no asfalto.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Só sentia-se sozinho.
Mas ser sozinho não é nada.
É não ter quem abraçar,
quem lhe transmita confiança
e entenda seus momentos de mau - humor.
Coisa pequena.
E isso lá faz falta?
Faz... muita falta.
Ser sozinho é triste, muito triste.
E só quem é entende.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Soluçar

Um soluço.
Um choro engolido
Com muito esforço.
O fim.
A escuridão.
O poço.
A lama até os joelhos,
O suor na cara
E as cinzas nos cabelos.
Misturou-se calor,
Incêndio e tempestade.
O que havia de pior.
Inferno.
Calamidade.
Triste, andava triste.
Cabisbaixo, calado.
Só, sentia-se só.
Esquecido, abandonado.
Queria alguém.
Ah! Como queria.
E o tanto que desejava
Era do tamanho da sua solidão.
Os braços que abraçava
Era o vazio da imensidão.
O espaço desocupado.
O tato procurando o chão.
O entortar dos passos,
Dados sem direção.
Um soluço ecoado,
Para prender o choro de solidão.

Amou

De todo.
Tão tolo.
Entregou-se ao amor.
Muito.
E pouco.
Amou, amou.
O mínimo.
O máximo.
O que achava certo.
O que não devia.
Quem valia a pena.
Quem não merecia.
Fez de tudo.
Deixou de fazer.
Amou, amou.
Por ser tolo.
Por puro prazer.

Sabemos

Nos cantos, nos detalhes,
nos exageros.
Pedaços.
Metades.
Inteiros.
Às escondidas, às vistas,
em segredo.
Verdades.
Mentiras.
O medo.
Pra mim, pra você,
pra cada um de nós.
Amor.
Prazer.
E a voz.
A quem diz, a quem pensa,
a quem hesita em falar.
A glória.
A pena.
O pesar.
Dentro, fora e
até onde não dá.
Espaço.
Ocupado.
Lugar.
Nos risos, nas lágrimas,
nos abraços.
Sentimento.
Falta.
Embaraço.
Sempre sobra.
Sempre cabe.
E tudo que vai embora
deixa um pouco de saudade.
No coração,
na memória.
A gente sabe.

Se sinto, não percebo.
Se percebo, eu nego.
Meu amor é meu umbigo
e meu amigo é o meu ego.

domingo, 6 de julho de 2008

Desabafe

Pensar muito antes de falar estraga. Bom mesmo é dizer verdades rapidamente, sem antes combinar palavras e expressões para tentar ser agradável. Sinceridade é espontaneidade. O gostoso é chegar na cara dura, atropelar o nervosismo, engolir a culpa, e falar, falar, falar. Alivia. Falar o que pensa, mas não pensar antes de falar. E se alguém achar ruim a gente enfrenta. Porque bom mesmo é desabafar.

sábado, 5 de julho de 2008

*A gargalhada pode ser alta,
mas nada tem de bela se não é verdadeira.

Todo sorriso falso é sem graça e apagado.
Bem...pelo menos assim penso eu.

Sorrir.
Só rir.
Sorria, mas não convencia.
Sorriso forçado não
tem nada de alegria.
Mais antes um punhado
de mau-humor e ironia.
Sorriso espontâneo que
é graça plena, retrato de folia.
E nenhuma boca parece pequena
para um largo sorriso de euforia.
Riso.
Rindo.
Rico em hipocrisia.
Se não quer rir,
não ria.
Pois um riso forçado
não tem nada de alegria.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Nada o fazia dormir naquela madrugada fria de domingo. Nem mesmo o imenso cansaço no corpo, abatido pelas incertezas do coração. Pensava, virava na cama, olhava para o teto, para o nada. E era nada mesmo que conseguia fazê-lo dormir. Levantou-se. Os pés descalços, o chão frio e o inevitável arrepio. Dirigiu-se para a varanda, para encarar o frio de frente, enquanto em sua mente fervilhavam trilhões de idéias. Ela. Insistentemente, ela visitava os seus pensamentos, rondava silenciosa e ousadamente as suas lembranças, como um vulto na escuridão. Perigosa. Decidida. Teimosa. Amar alguém assim era um verdadeiro risco. E, sem querer - ou querendo mesmo -, ele arriscava-se todos os dias. Ela tirava o seu sono. Mas quando estava com ela, era como se pudesse descansar corpo, alma e espírito de uma só vez, recuperar as noites perdidas e a paz de que precisava o seu coração. Sofria por causa dela. Não queria mais ninguém, porque seu amor era ela... ela era. E como todo amor, trazia na bagagem incertezas, felicidade e sofrimento. Porque ela era amor de corpo inteiro: verso, inverso e avesso. E era disso que ele gostava. Era isso que ele odiava. Porque amá-la era tudo, era o melhor e o pior do mundo. Mas no fundo - talvez nem tanto assim -, ele gostava desse pouco de inferno no céu que ela era. Adorava os tempos de paz em suas guerras, suas batalhas de amor e ciúmes. Mas ele gostava porque não era alguém qualquer. Era ela... ela era... ela foi... motivo, incerteza ou cansaço maior que o fez dormir ali, na varanda mesmo, com os pés e as mãos já roxos de frio e a cabeça cheia, mas cheia mesmo de dúvidas.

Ele a olhava de soslaio, como quem não quer nada.
Ela, atenta ao seu olhar, sorria sem graça.
Passava as mãos pelo cabelo, tentando ser charmosa
mas, desajeitada, despenteava-se.
E somente quando sabia que ele desviara
a atenção para qualquer outra coisa,
se atrevia a virar o rosto para admirá-lo.
Ele, a cada 3, ela, a cada 5 segundos.
E, assim sendo, a cada 15 seus olhares se cruzavam.
E era como se saissem faíscas.
De frente, só matematicamente se olhavam,
mas de dentro via-se muito mais.
Era amor, um sentido descabido,
uma mania de querer, mas um querer antigo.
Se amaram desde sempre.
Desde sempre e muito antes.
Se viram em sonhos,
decalques de anseios e expectativas.
E souberam, desde os primeiros 15 segundos,
que era amor, nada mais.
Porém, um amor de prazos, a tempo marcado.

E quando sentiam saudades
e vontade de se amar,
disfarçavam e esperavam
por um novo cronológico olhar.

Eu sei

Eu não posso falar de amor.
Eu não posso sentir amor.
Minha garganta trava,
eu me engasgo com as palavras
e meu coração dói.
Eu não sei amar.
Eu nunca nem amei.
Mas eu não iria mesmo acertar.
Eu sei disso, eu sei.

terça-feira, 1 de julho de 2008

O que??

O que fazemos quando alguém parte
e não queremos dar adeus?
Apertamos a mão contra o peito,

engolimos uma lágrima a seco,
ou vamos junto??
O que fazemos quando a saudade é insuportável,
quando ouvir a voz e ver de longe não basta
e as lembranças se tornam repetitivas demais,
tamanha a frequência com que fomos buscá-las??
O que sentimos quando um sonho se perde,
quando somos nós mesmos os perdidos
e os pensamentos nos surpreendem??
Dor, desespero, medo, ou um simples acelerar do coração,
subir ou descer de pressão, ou a velha,
mas sempre presente e incoveniente confusão??
O que sentimos quando os sentimentos nos faltam,
quando os sentidos falham e os instintos nos traem??
Vergonha, arrependimento, raiva, ou só vazio,
que sozinho sabe ser grande coisa??
O que dizemos quando nos faltam as palavras,
as expressões certas na cara e o próprio silêncio fala por si só??
O que dizemos quando o olhar nos denuncia,
o nervosismo nos trai e nem temos
certeza do queremos mesmo dizer??
O que sentimos quando falamos demais,
quando simplesmente não pensamos antes de falar
e toneladas de palavras, olhares maldosos e críticas
nada construtivas saem espontaneamente??
Embaraço, orgulho, um saciamento íntimo
ou vontade de pedir perdão??
O que sentimos quando percebemos que aquele amor
que achávamos ser eterno não era verdadeiro
e descobrimos mentiras nossas e dos outros ??
Ódio, vontade de chorar, ou alívio, por termos
nos livrado a tempo de algo que jamais daria certo??
Cada um reage de um jeito.
Cada um pensa, sente ou mente de um jeito.
Eu... eu vou juntando os pedaços, quebrando
meu coração em mais outros tantos cacos
e depois colando-o de novo.
Eu choro, eu rio, eu sofro, eu me divirto.
Eu sinto muito. Eu desconfio muito. Eu nada sinto.
Eu vivo.

Me...do

Medo.
Eu tenho me... eu tenho mesmo...
medo...receio.
Eu não quero... eu não desejo...
sofrer... é disso que eu tenho medo.
Eu esc... eu escondo meus sentimentos...
porque eu esc... eu escolhi me esconder no medo.
Mesmo.

sábado, 21 de junho de 2008

Tímida

Cinco dedos, um desejo e a falta de coragem.
Tocaria? Ousaria? Queria tanto sentir!
Um ato, um braço flutuando no espaço, mas...
Foi só meio ato.
A pausa, o receio.
Um gesto de retrocesso, a tristeza do insucesso
Pelo que nem chegou a ser tentativa.
As projeções do “se tivesse coragem”,
A mão fina e covarde que não se atrevia a tocar.
Era só um toque, um choque,
Um rubor de nada, um sorriso sem graça
E um assunto inventado ali, na hora mesmo.
Mas ela ousaria? Se atreveria?
Não, a timidez era maior.

Permaneça

Não, eu não aceito sua partida!
Não agora. Não nunca.
Nem ouse levantar a mão para me dar adeus,
Ou tocar a minha face com um beijo gélido
Para me dizer que se vai.
Fique mais um pouco, talvez não tão pouco,
Fique muito, fique mais.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Eu nunca quis

Mais uma vez, eu fui olhar aquela sua foto. Acho que por puro costume. Às vezes eu a vejo, mas meu olhar não penetra o seu e eu já nem te percebo. É algo automático: minhas mãos sempre buscam na minha bagunça, vasculham a velha caixa de cartas, até encontrarem aquela foto sua. Sem querer, sem perceber, e quando eu me dou conta, já estou admirando o seu sorriso, um pouco torto e forçado, mas ainda assim, lindo. Eu odeio essa sua barba e essa sua cara despreocupada, de quem não está aí para nada. Mas adoro a sensação de paz que você me passa, até mesmo a confusão que você faz se instalar em mim. Sinto falta das suas palavras firmes, da sua certeza de tudo e da sua vontade de abraçar o mundo. Sempre crítico, sempre enxergando além, sempre vendo coisas em mim que ninguém mais era capaz de ver. Tão normal se sentir especial ao seu lado. Tão bom, mas ainda assim desnecessário. Eu não precisava sentir nada de diferente em mim, pois sentir você me bastava. E como uma brisa suave, seu cheiro bate à minha janela e eu ponho a cara na rua para poder senti-lo. É cheiro de amor: leve, suave, mas preciso, conciso, entorpedecedor. E ele me envolve com tamanha exatidão, que posso até sentir os pêlos do nariz arrepiarem. Então eu lembro que um dia esse amor me fez uma visita, radiante, extremamente agradável, porém breve. E na sua passagem, ele me deixou um gosto. Ah...! Que gosto! Era gosto de felicidade. Eu poderia experimentá-lo quantas vezes fosse e ainda assim ele não me enjoaria. Só que ele se cansou de mim e de saciar o meu paladar. Saudade: é só o que me resta. As lembranças me prendem e a memória me empresta: beijos dados, abraços nos fins de noite, carícias, a mão perdida no rosto e os olhos fechados, como para senti-la melhor. Por que você se foi? Por que eu deixei você ir? Eu não poderia, eu não deveria, eu nunca quis.

Vazia


Só o que havia de grande nela
Era o vazio que sentia.
E não arriscava-se no amor,
Porque amar não sabia.
Conseguiu apaixonar-se.
Foi feliz por um tempo.
Curto tempo, é bom saber.
E depois voltou o vazio e
A insignificância do seu ser.
Experimentou abrir feridas no peito,
Chorar um pouco,
Sofrer alguma frustração.
E aquela dor era o remédio perfeito-
Pensou ela- para o seu coração.
Mas quanto mais se machucava,
Mais triste se apercebia e
Mais vazia se achava.
A dor na verdade era um incômodo,
Que por necessidade ela abraçara.
Queria ser feliz.
Mas como?
Somente a tristeza ela imaginara.
Não sabia de felicidade,
Era leiga no amor.
Mas amor é ambigüidade,
É alegria, ferida e dor.
E a dor muito bem ela conhecia,
Era íntima sua e única companhia.
E viveu então em dores,
Infelicidades e dissabores.
E a alegria?
Não, ela não veio.
Por ser vazia não achou um meio
De vivê-la um dia.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Hoje eu estava pensando em como às vezes me forço a gostar de alguém, como muitas vezes invento paixões que não existem, buscando uma maneira de aquietar e preencher o meu coração. Pensei também em como tudo isso é inútil, porque nenhum amor de mentira resiste à rotina, aos erros e às imperfeições do outro. Sempre tive a plena certeza de que eu sou fria e insensível. Mas confesso que hoje começo a me opor a essa idéia e a pensar duas vezes antes de dizer “eu nunca vou amar alguém”. Lembrando de coisas que aconteceram comigo, percebi que eu não sou tão durona como gostaria de ser. O que acontece é que eu sou do tipo de pessoa que pensa muito - e quando eu falo muito é muito mesmo! - antes de tomar uma decisão, por medo de errar na escolha ou talvez por simplesmente ser perfeccionista. Com meus sentimentos não poderia ser diferente. Eu não consigo gostar de ninguém como um passatempo, um modo de esperar a pessoa certa acompanhada da errada. Eu quero me jogar no amor, mas me jogar uma vez só, sem volta, sem culpa, sem receio. Não vejo necessidade nenhuma em me apegar a uma pessoa que eu não desejo que seja eterna em minha vida. Pode parecer até muito romântico da minha parte, mas a verdade é essa mesma: eu sou romântica. Não romântica porque gosto de receber flores, jantar à luz de velas ou qualquer coisa do tipo – para ser sincera eu detesto tudo isso, acho uma breguice! -, mas porque eu idealizo o amor. Um amor que aconteça apenas uma vez e que não precise ser eterno para ser inesquecível. Então pra quê eu vou me empatar com alguém que eu sei que não vai ter futuro para mim, que vai apenas preencher uma parte da minha essência? Não se ama pela metade. E eu quero um amor inteiro, que me complete, não que apenas me dê migalhas de emoções. Eu sei que não vou encontrar ninguém perfeito, não preciso nem ser alertada quanto a isso. Tenho consciência de que meu perfeccionismo muitas vezes me atrapalha e me impede de conhecer bem as pessoas e até quem sabe me deixar envolver. Mas eu sei também, embora nunca tenha amado ninguém, que o amor é maior do que qualquer orgulho, qualquer mania de perfeição. A gente ama e pronto, não tem explicação. Você não morre de amores por uma pessoa só porque ela lhe parece fisicamente bonita, é bem educada ou fala bem. Tanta gente que é maltratada, desprezada e ainda assim se arrasta por amor. Você não escolhe quem vai amar, você ama e acabou, mesmo que não queira e negue isso a si mesmo. O amor é um perigo. Mas eu não posso negar que estou doida, doida mesmo para correr esse risco.

terça-feira, 17 de junho de 2008

À toa

Poesias inacabadas, sonhos frustrados, desejos omitidos, minha vida resume-se a coisas incompletas e vontades implícitas. Não há sentido em nada que falo nem sinto, meus pensamentos são devaneios e pecados íntimos. E cada desejo que me vem é como uma negação das minhas próprias idéias, transformando-me numa contradição que me enlouquece. Um dia eu prometi a mim mesma que iria decidir sobre o meu coração, meus sentimentos e planos. Mas quem pode mandar em tudo isso? Hein? Me diz. Eu perdi a direção da minha própria vida e estou andando por um caminho que eu desconheço, buscando um destino que nada tem de semelhante ao que prometi buscar. Algumas vezes – algumas vezes, eu disse? Quase sempre!- eu me sinto ferida, mas procuro um motivo para isso e não encontro. Acho que a solidão e a falta de alguém que te machuque é a pior forma de se ferir. Talvez a menos provável, mas ainda assim a mais triste de todas. Inútil achar que você mesmo basta para ser feliz. As pessoas, mesmo as que não conhecemos - acho que principalmente essas-, fazem falta, são indispensáveis para sermos completos. E eu sempre fico com aquela vontade e aquela esperança de que ainda vou encontrar a pessoa que vai mudar a direção da minha vida, que vai tirar o chão dos meus pés e me fazer sentir uma felicidade idiota. Todos nós sempre esperamos, na verdade. Não adianta negar. E enquanto essa pessoa não vem e nem dá sinais de existência, vou caminhando a esmo, sem muita certeza de onde vou chegar.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Culpada!!

Não é a noite, que envolve o céu em negritude e traz aquela sensação de abandono. Sou eu, que carrego um peito solitário e me perco em meu escuro íntimo. Eu não sou feliz. Eu sou triste. Eu sinto falta sem nunca ter tido e me investigo pra descobrir quem sou. Eu me perco em meus próprios espaços, erro nas intenções e nos passos e nunca encontro o amor. Sou terrivelmente cabeça dura, não escuto, me obrigo a não entender certas coisas, porque esse é o meu jeito de fugir, o meu jeito de não sofrer. Eu procuro não perceber sentimentos, porque sei que em algum momento, eles vão me enfraquecer. E eu não gosto de me sentir fraca, eu não gosto de admitir que preciso mais do que de mim mesma para me sentir realizada. Eu posso até gostar, sentir afeto, mas se o faço, o faço calada. Eu sou fútil, egoísta, interesseira e nunca estou satisfeita com o que tenho. Resultado? Só me lenho! Sempre acho que posso ter mais, porém faço pouco ou quase nada. Eu sonho muito, mas espero sentada. Sou preguiçosa, vida mansa e acomodada. E as coisas nunca chegam, o tempo passa e eu me sinto sempre triste, sempre sozinha. E eu vou culpar a escuridão da noite? Não! É culpa minha!

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Aff

Como se não bastasse meu secador, que resolveu me deixar na mão, as propagandas agora só falam sobre o “bendito” dia dos namorados. Parece que esse povo faz de propósito, só pra me lembrar que eu sou uma encalhada. “Com a nossa operadora, você e o seu amor falam muito mais por muito menos”. E eu com isso? Amor? Que amor? Tenho ninguém não, meu filho! Pra mim não faz diferença se é mais ou menos, não tenho pra quem ligar mesmo. Nem quem ligue pra mim. Para completar, os programas ficam exibindo casais felizes, que contam como aconteceu o amor com eles, ou então uma daquelas pessoas desesperadas, que resolvem apelar pra mídia e perguntar com a cara mais cínica: “alguém quer namorar comigo?”. Aaaah!! Eu não mereço isso!! Não sou obrigada a ficar vendo esse tipo de coisa. Já basta acordar toda manhã e lembrar que ninguém vai me ligar pra me desejar um bom dia ou para me dizer “te amo, me liga mais tarde”. Mal começou o dia e a TV já falando de amor. O amor não existe, gente! Tão simples entender isso. Só o que acontece é que algumas pessoas têm a sorte de encontrar uma outra idiota que as suporte - aiai, como sou despeitada!! Como é fácil de perceber, eu não tive essa sorte. E já desisti! Prefiro ocupar minha cabeça com outra coisa menos complexa. Meu dia já começou muito ruim pra eu ficar inventando problema. Vou para o ponto de ônibus. “Misera” de “busú” que parecia que nunca ia chegar, tive que ficar 32 minutos esperando. E ainda dei a sorte de sentar na frente de um idiota que ficava falando qualquer merda sobre qualquer coisa que via. E pior: ficava cantando com uma voz ridiculamente fora do ritmo. Ah! Vai à merda, vai! Nunca agradeci tanto a Deus por descer de um ônibus. Pelo menos na faculdade correu tudo bem – fora a demora do ônibus pra eu voltar pra casa. É dose, viu: encalhada e ainda pedreste! Ow vidinha... Chego em casa e a porcaria da internet sem querer funcionar. Aí foi o fim pra mim. Fico sem comer, mas não fico sem internet. E não, isso não é exagero. Verdade mesmo!! Pronto, agora eu estava prestes a matar um. Fiquei torcendo pra alguém esbarrar em mim sem querer, pisar no meu pé, qualquer coisa, pra que eu pudesse descarregar minha raiva. Pena que não dei sorte. Sobrou pra minha mãe mesmo coitada, que ouviu que foi uma beleza. Mal aew, mãe...Fiz de um tudo, até conseguir colocar a miserável da internet pra funcionar. E “aah, que bom!! Pegou!!”. Só assim eu consegui me acalmar um pouco, rir com algumas bobagens ditas no msn e ouvir Laura cantando, sempre ela, com aquela voz que me acalma. “Tô” em paz agora. Mas não abusa, “tá”?? Qualquer coisa e eu explodo de novo.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Em silêncio

°NÃO, eu NÃO estou amando!!


Ela o amava.
E ele??
Ah, ele nem sabia,
Nem sequer desconfiava.
Era amado sem perceber
E sem querer a cativava.
Seu silêncio a apreendia.
Queria saber o que ele pensava a seu respeito.
E ela sempre se surpreendia
Quando ele a cumprimentava sem jeito.
Queria poder falar mais um pouco.
Mas o quê??
Ficava sempre calada,
Pois nunca sabia o que dizer.
Sorria tímida, ruborizada.
Ele sorria de volta.
Só isso, mais nada.
E esperava pelo outro dia,
Procurava um motivo para falar,
Inventava de cruzar o seu caminho,
Se não para um sorriso,
Ao menos um olhar.
E quão triste ela ficava
Quando ele não a percebia.
Apenas isso bastava
Para arruinar todo o seu dia.
Mas não podia exigir nada,
Nem sequer pestanejar,
Pois o castigo de amar calada
É sofrer sem reclamar.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Merda

Merda de calor, de ônibus que não passa,
de alegria ausente, de vida sem graça.
Merda de tédio, merda de dia,
Merda de eu mesma me fazer companhia.
Merda de ter que cozinhar e depois limpar a bagunça.
Merda de professora, parece filha do que ronca e fuça.
Merda de fumante que vem tragar o cigarro do meu lado,
Merda de criança irritante, de taxista tarado.
Merda de tristeza, merda de ausência,
De amor que não chega, de vazio e de carência.
Merda de tpm que me deixa maluca,
Merda de erro, merda de culpa.
Merda de inflexibilidade, merda de coração duro,
Merda de insensibilidade, merda de orgulho.
Está tudo cagado, uma verdadeira merda.
Ela é sorte no teatro, e falar seu nome me desestressa:

MERDA!!

sábado, 24 de maio de 2008

Às vezes eu gosto, assim, sem querer mesmo. E me vem um apego pela pessoa – ou pela coisa. Gravo os detalhes na mente: o sorriso, o olhar, o “bom dia” que me foi dado e que eu interpretei como “pra sempre vou te amar”. Depois então eu esqueço, a antipatia toma o lugar do apreço e eu começo a evitar. Fujo, falo pouco, recuso um convite, me distancio. Cumprimento de longe e de mais longe sorrio. Às vezes, muito às vezes, eu amo sem esperar, sem desejar, e meu coração nem pede minha opinião, muito menos o meu consentimento. E eu não reclamo, apenas lamento. Não sou boa de amar. Não sei ser de ninguém e não sei confiar. Quase sempre eu detesto, tenho nojo e aversão. Sou chata pra caramba, falo alto, só não falo palavrão. Gosto mesmo é de ficar sozinha no meu canto, tentando entender meus pensamentos e sentimentos – pra ser mais sincera, a falta deles. A ausência dos ditos sentimentos bons. Sim, desses mesmos. Do amor em especial. Eu não sou paciente, não sou meiga e não sei ser legal. Grosseria. Ela me define tão bem. E eu gosto disso, porque não preciso fingir risos pra agradar ninguém. Não faço média, não puxo o saco e não elogio pra tapear. Sou sincera, direta, curta e grossa pra melhor especificar. Não que eu seja uma pessoa ruim, apenas não sei fingir ser como muitos gostam e estão acostumados. E por favor, não minta pra mim, porque eu odeio mentiras e falsos encubados.

domingo, 18 de maio de 2008

.


Um ponto.
Não o ponto do i, o ponto
Final ou o de continuação.
Eu sou o ponto onde
A sílaba é átona,
Onde a entonação é fraca
E não há exclamação.
Eu sou o ponto fraco,
Onde acontecem os erros
E reside o medo.
Sou o ponto falho,
Onde a mentira é grave
E o sentimento é segredo.
Eu sou o ponto contra,
O saque mal dado,
A bola quicada no espaço errado.
Eu sou o ponto que não se encontra,
Que se diminui,
E que diminuto sempre tem estado.
Eu sou o ponto pelo qual
Não se deve olhar.
Sou a perspectiva mal elaborada,
A idéia errada, o d mudo de admoestar.
Eu sou o ponto que nunca é dado,
Que é apenas vontade.
Sou o ponto cego do passado,
Que lá ficou e não deixou saudade.
Sou o ponto que tranca,
Que é fechadura e não tem chave.
Sou o ponto da mentira franca,
que é solução e é entrave.
Eu sou o ponto que incomoda,
o ponto de tensão.
Sou a certeza torta,
que se faz morta e sem atenção.
Eu sou o ponto do lamento,
Da voz muda e da solidão extrema.
Eu sou a história absurda,
E se fosse acento,
Com certeza seria trema.

°Adoro coisa baixo astral


Lá vem ele!
Onde? Cadê?
Ali, ó... Lá, do lado de lá!
Não estou vendo. Como ele é, hein?
Não sei. Também não estou vendo direito.
Ele demorando,?
É...Um pouco. Pronto, chegou!
Ai! Ele me bateu!
Não, não era ele. Foi só uma paixão sem nexo.
Ah tah. Ó, quando esse tal de amor
chegar me avisa, viu?
bom. Vou ficar aqui esperando.


Quero me fazer presente
Em todos os tempos:
Estava, estou, estarei, desejo estar.
Quero me enxergar
Em todos os momentos:
O que aconteceu, o que acontece, o que acontecerá.
E quando o estou tornar-se
O que havia estado,
Deixarei de ser quem sou
Para virar resquício do passado.
E se o que eu desejo vier a acontecer,
Você já terá acontecido
E nem irá me perceber.
Porque talvez nada aconteça.
O como é do jeito que eu desejo,
Mas o se é incerteza.
Me tornarei o agora,
Que é presente do passado
E será passado do futuro.
Esquecerei que longe, outrora,
Minhas portas sorridentes
Foram sérios muros.
Irei me expor.
Em parte, apenas.
Abrirei a mente,
Mas fecharei o coração.
Estarei de corpo presente,
Mas minha presença será solidão.
Falarei, pensarei em falar,
Repetirei frases antigas
E muitas outras eu hei de imaginar.
Pontuarei com exclamações,
Colocarei pontos finais
E depois os borrarei em vírgulas.
Farei sem querer e
Querendo farei intrigas.
Mudarei, deixarei minha face,
Minha cor e minha voz.
Abandonarei a maquiagem,
O blush, o rouge, o gloss.
Estarei de cara limpa.
Sujarei os dentes
E me pintarei de tinta.
Rosa, azul, vermelho,
Seja lá qual for o meu humor.
E então eu serei.
É sério que eu seria,
Mas é mentira que eu sou.
Você não entenderia,
Porque onde eu estive,
É onde estarei e
Onde ainda hoje estou.
Porque o que acabou começa,
E o que tem pressa ainda não começou.
O que acontece está acabado,
Porque o presente é passado
Do futuro que chegou.
Então eu me ausentarei.
Sentirei falta e sinto que
Falta nenhuma eu farei.

Tempestuosa


A face colada no vidro
Frio da janela.
A chuva lá fora
E o vazio dentro dela.
A respiração forte,
A visão embaçada,
Um desenho da morte,
Na janela acariciada.
O vento mudo que leva
Folhas a dançar.
O chão molhado e sujo,
Uma poça pequena a se formar.
Gotas sucessivas,
Que verticalmente caem,
Que se insinuam e respingam
Nos rostos curiosos que na rua saem.
O tempo está chuvoso,
Visto da sua janela de ansiedade.
Mas por dentro ele é outro,
Em seu íntimo há tempestade.


sábado, 17 de maio de 2008

Motivos

°A foto está feia -pose manjaaaada- e a resolução está péssima, mas essa semana foi digna de ser eternizada. Quem dera fosse sempre assim...todos os dias...


Estou me sentindo tão triste. Olho umas fotos antigas e outras mais recentes e me dá uma vontade de chorar. Às vezes somos felizes e nem nos damos conta disso. Perdemos tempo inventando defeitos, enxergando problemas onde não há. A vida poderia ser muito mais simples se resolvêssemos reduzi-la ao que vale ou não ser apreciado. Os amigos, por exemplo, eles têm o poder de tornar qualquer momento, até o mais desastroso, no mais incrível. Essa semana foi inesquecível ao lado de amigas maravilhosas – uma de um tempo e outra que fiz por esses dias mesmo, mas que de certa forma já se tornou especial para mim. Fiquei aqui pensando: “Poxa! Não vamos mais viver uma semana como essa. Poderemos até compartilhar momentos parecidos, mas jamais momentos iguais”. Foram dias de tantos risos, que só mesmo estando presente para entender. E agora eu me dou conta de que voltei a estar como antes: sozinha em casa, procurando algo para fazer e alguém para me dar atenção. Carência é fogo! A pessoa começa a sentir pena de si mesma. Isso é ridículo! Mas tem seu lado positivo. Estar deprimido é um bom motivo para pensar na vida, reorganizar as idéias – ou pelo menos tentar -, fazer promessas a si mesmo de que a partir desse momento vai viver mais para si e menos para os olhos maliciosos dos outros. Carência e depressão vêm sempre juntas. Pelo menos comigo. Quando me sinto sozinha e carente é que fico de fato deprimida. E estar assim me leva a perceber como tudo é simples, que eu que tenho mania de complicar o que está ali, diante dos meus olhos, pedindo para acontecer. Sempre fico procurando motivos para fazer as coisas, gostar de alguém, dar um abraço. E quando sinto que isso me afasta das pessoas, vem a vontade de amar sem explicações, de sorrir do que não tem graça, de gritar como modo de me libertar das paredes que eu mesma construí dentro de mim. Eu quero sair que nem boba pela rua, quero encontrar um amor eterno, voltar a ser criança, apertar a campainha do vizinho e correr em seguida, dizer aos meus pais que eu os amo, à minha irmã que estou com saudades – sinto sua falta pra caramba! -, quero fazer novos amigos. E por favor, não me peça motivos. Eu só quero ser feliz. A meu modo, o mais inexplicável possível.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

DEA

°Estou fazendo um curso de Primeiros Socorros e fico perdida na parte teórica, que eu acho mt mt mt mt chata...mas o curso é mt bom. Aconselho qualquer um a fazer. Nunca se sabe a situação que está por vir.



Sete e meia...
Faz barulho!
A sala está cheia
E o assento é duro.
O assunto, pouco me interessa.
Tenho sono e a droga do tempo
Se escoa sem pressa.
Onde foi que eu vim parar?
Um bando de loucos
Estudando o cérebro,
Mas meu pensamento
Ninguém sabe analisar.
Me sinto fora de mim,
Mergulhada nesse mundo
Que pouco ou nada tem de meu.
Isso é o começo do fim:
A enfermagem, o DEA¹ e eu.
O professor fala, me olha,
Eu balanço a cabeça positivamente
E finjo que entendi.
Mas nem ao menos entrou
Por um ouvido,
Pra do outro poder sair.
Eu não entendi foi nada!
Estou aqui de aventureira.
Quero ser uma jornalista,
Não nasci pra ser enfermeira.
Mas eu estou aqui,
Embora prefira não estar.
E minha mente só se diz:
Onde foi que eu vim parar?



1. DEA - Desfibrilador Externo Automático

Mãos amigas

Na foto eu olho cada face, me ligo a cada detalhe e não consigo parar de olhar. E me vem aquela saudade, aquela velha vontade de todas essas faces reencontrar. Eu vejo vários pares de mãos, que um dia unidas, andaram juntas comigo. Eu enxergo meus irmãos, que a vida chama de meus amigos. Penetro olhares que muito me viram, que me decifravam e sempre sabiam o que se passava dentro de mim. Então eu me interrogo, não me conformo: por que a vida é assim? Estou despedaçada! Tento juntar os cacos, mas aquelas mãos amigas já não estão ao meu alcance para me ajudar. Sinto seus olhares conhecidos agora tão distantes, sem hoje poderem me olhar. Recordo o som de suas vozes, que destinos algozes ousaram me roubar. Mas ainda as sinto em posse, pois não há quem se conforme, se amigos não puder escutar. Me lembro de cada conselho, que a seu modo cada um sabia me dar. Tanto! Tanto eu me incomodo por já não podê-los apreciar. Me vem em mente meus erros, minhas falhas, que com paciência ou sem ela, não deixaram de ser apontados por suas mãos amigas. E me vem aquela falta dos nossos risos, nossas brigas. Amores de intrigas! Era tão bom dormir e saber que no outro dia iríamos trocar nossos olhares confidentes, rir dos outros, da vida, de nós mesmos e até do que não tivesse graça. Se bem que com vocês, tudo era alegria, tudo ganhava um significado tão especial, que só hoje posso entender. Eu estava tão habituada a tudo isso, que só a distância me fez perceber. E eu guardo na memória tantas coisas! Rio ao lembrar dos nossos papos no quiosque do colégio, da comida compartilhada na hora do almoço. Marmiteiros! Mas era tudo tão bom. Minhas tardes eram tão deliciosas quando passadas junto a vocês. Quer motivo melhor que esse para ir ao colégio? Aprender e redescobrir ao lado de quem a gente ama é sempre mais prazeroso. Ah! Como não lembrar da nossa união na hora das provas, dos bilhetes que voavam, das vozes que sussurravam e dos lembretes que se ocultavam. Parceria! Meu corpo ainda guarda o delicioso peso dos montinhos nos dias de aniversário. Sempre foi tudo tão bom... Então choro pelas vezes que deixei de dizer que os amava, que vocês sempre foram parte de mim. Choro porque tenho medo de nunca mais sentir o calor de suas mãos amigas, porque não sei viver sozinha e a solidão que mais me dói é a ausência de vocês. Eu pensei que eu era forte, que agüentava até a morte, mas a danada me veio em vida. Descobri que eu sou fraca, pois minha força estava em suas mãos amigas.


Cansei de falar de flores,
Cansei de falar do amor.
Já não me interessa falar
Do que traz sossego,
Do que é quase unanimemente belo
E aquieta o coração.
Eu quero incomodar espíritos,
Desassossegar almas,
Indagar mentes.
Quero falar do que dói,
Do que ofende,
Do que tira a razão.
Quero falar do sonho frustrado,
Da dor de dente,
Dos problemas da mente,
E mais ainda do desamor.
Quero acabar com a paz de espírito,
Desritmar o ritmo,
Narrar tristezas e dor.
Quero falar da vida,
Da parte dela que é omitida
Por risos falsos e hipocrisia.
Quero falar de derrotas,
De saídas sem portas,
Da incômoda ironia.
Preciso encontrar um paradoxo,
Perder a noção e falar coisas sem sentido.
Preciso ganhar o medo,
E sem receio,
Me arriscar no desconhecido.
Quero sentir falta de nada,
Ausência de mim mesma
E perdas do que não tive.
Quero descobrir mentiras,
Me sentir só,
Me sentir triste.
Quero experimentar novos sabores,
Inventar novas cores
E fugir da rotina.
Quero me arrepender, me frustrar,
Me sentir mulher, me sentir menina.
Quero doce, quero amargo.
Quero mel, cruz e fel.
Quero sonho, quero pesadelo.
Quero certeza, quero receio.
Quero a vida, tal e qual ela é,
De cabo a rabo,
Lado A e B.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Chego na sala e a TV desligada, já não escuto as risadas altas e os convites que tantas vezes eu rejeitei: "Anne, vem ver isso!". No quarto, a sua cama vazia, seu bichinho de pelúcia (aquele que eu acho horrível) e algumas coisas da sua faculdade. Em toda a casa, um silêncio triste, que vez ou outra é violado por um suspiro profundo, daqueles que eu dou quando estou realmente entediada ou deprimida. Hoje estou me sentindo dos dois jeitos. Agora demoro ainda mais para conseguir dormir. Me sinto cansada, mas meus olhos parecem não querer se fechar e minha mente não se rende, teimando em pensar em você. Pego o caderno, escrevo umas duas bobagens e finjo me sentir melhor. As noites parecem ter ficado ainda mais longas e o sono mais fugidio. E quando ele vem, tarde, atrasado, consigo descansar por algumas horas. Mas quando ele se vai - ou não - e chega a hora de me levantar, viver o dia sempre repetitivo (que saco!), eu olho para o lado e constato mais uma vez que você não está. Eu sinto os olhos irritarem e percebo a lágrima quente (e teimosa) que quer sair, me mostrando como eu sou frágil, mais do que desejo ser. Tremo os lábios, prendo o choro, mas a cada tentativa de esconder de mim mesma as minhas emoções, sinto o coração apertado, agredido, o peito doído e a garganta travada, com um enorme nó. Não jogo nada para fora e aqui dentro vai ficando tudo acumulado, um verdadeiro entulho de sentimentos. Sinto tanto a sua falta. Lamento pelas vezes que deixei de desfrutar da sua presença única, extremamente agradável. Não vejo a hora de você voltar e nós podermos viver como antes, uma perto da outra, compartilhando nossas tristezas, nossas incertezas e nosso mau-humor. Estou com saudades!!

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