terça-feira, 29 de julho de 2008
Desculpe-me pela mediocridade das palavras, pela falta de coragem para olhar nos olhos, pelos meios sentidos, nem sempre bem entendidos, nem sempre captados por você como eu esperava que fossem. Eu não vou dizer que passei horas deitada, pensando na melhor maneira de dizer isso, porque não o fiz. Eu apenas achei melhor dormir, descansar corpo e mente, para poder lhe falar. Mas o meu medo, forte e cada vez mais inoportuno, permite-me apenas sussurrar palavras (que ficariam até românticas se fossem ditas ousadamente ao pé do ouvido), falando mais para dentro do que para fora. Não me cabe o atrevimento de pegar na sua mão (seria até aceitável se eu vivesse nos anos 50), virar, ainda que rapidamente, de maneira atropelada mesmo, e dizer: é você que eu quero. Talvez eu não esteja pronta para levar um não, ou talvez e mais grave ainda, não tenha estrutura para ouvir um sim, que mudaria por completo a minha vida. Eu quero muito que as pessoas se doem a mim, mas pouco sei me doar a elas. Não é diferente nesse caso. Odeio essa mania que eu tenho de me direcionar aos outros apenas quando eles me parecem úteis para algo. Sou egoísta, não nego. Mas às vezes tenho nojo de mim por isso (não, não é sempre que isso me envergonha). Não penso que seja direito tentar amar agora, que ainda não aprendi a ser menos eu e mais o outro. Agora, que por simples egoísmo, fui levada a te falar (ou escrever) o que sinto. No estado em que me encontro, se espero uma reciprocidade, não é por querer te fazer feliz, mas por achar que você acrescentaria a felicidade que falta à minha vida. E isso não é ser egoísta? Penso eu que sim. A maneira mais fria e egoísta de desejar alguém. E é assim que eu te desejo. Não sei se por falta de outra pessoa a quem desejar, por desocupação do meu coração vadio, ou por capricho da minha mente, que sempre teima em se voltar para quem obviamente só irá perturbá-la futuramente. Não é aceitável. Não é digno. Não é puro. Mas desejo é desejo, ora essa! Das duas, uma: ou ele acaba, ou vira amor. Só não me pergunte qual é. O “ou” é o espaço mais vago entre a felicidade e a desgraça.
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