quarta-feira, 2 de julho de 2008
Ele a olhava de soslaio, como quem não quer nada.
Ela, atenta ao seu olhar, sorria sem graça.
Passava as mãos pelo cabelo, tentando ser charmosa
mas, desajeitada, despenteava-se.
E somente quando sabia que ele desviara
a atenção para qualquer outra coisa,
se atrevia a virar o rosto para admirá-lo.
Ele, a cada 3, ela, a cada 5 segundos.
E, assim sendo, a cada 15 seus olhares se cruzavam.
E era como se saissem faíscas.
De frente, só matematicamente se olhavam,
mas de dentro via-se muito mais.
Era amor, um sentido descabido,
uma mania de querer, mas um querer antigo.
Se amaram desde sempre.
Desde sempre e muito antes.
Se viram em sonhos,
decalques de anseios e expectativas.
E souberam, desde os primeiros 15 segundos,
que era amor, nada mais.
Porém, um amor de prazos, a tempo marcado.
E quando sentiam saudades
e vontade de se amar,
disfarçavam e esperavam
por um novo cronológico olhar.



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