quinta-feira, 30 de abril de 2009

El amor

Mortifica toda a alma,
Para depois tomar conta do corpo,
E com maliciosa calma,
Espera a hora de se apoderar do morto.
Trabalha com frieza e escandalosa discrição,
Deixa às escuras a clareza
E se torna guia nessa escuridão.
Escolhe os piores caminhos
E piora as escolhas de quem tenta deles se desviar,
Seus métodos são calculdamente frios
E seu sabor é o mais doce amargar.
Enche de esperanças,
Arranca,
Corta
E cicatriza.
Faz incisão profunda
E desvirtua o sentido da vida.
É toda uma razão desconexa,
Que se confunde em sentimentos e sentidos,
Um fio perdido que do nada se reconecta
E traz à tona os desejos mais descabidos.
É absurdamente simples
E terrivelmente complicado.
Duelo mortal entre corpo e mente,
Que o coração sente e é o maior prejudicado.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Você

Voltei a sentir aquele aperto no peito.
Aquele estranho aperto no peito
Que cala as minhas palavras quando eu mais quero falar,
Que me transporta para perto quando eu estou longe,
Que não tem sentido nem tem nome,
Mas que evidencia quando eu mais quero ocultar.
Voltei a sentir os sons, os detalhes, as cores,
E me enchi de coragem para depois recuar,
Reconheci os gestos, os olhares, os sabores,
E decidi provar de novo, mesmo com o risco de amargar.
São seus todos esses rostos,
São seus todos os sorrisos,
Esses olhares são sempre os seus olhos
E sempre é também o seu corpo impreciso.
Tão ausente de proximidade
E tão próximo da minha ausência,
A materialização da mais pura felicidade
E a facilitação de uma inevitável desistência.
Você é a mais real negação do meu gosto,
O eu de quem decidi fugir,
E consegue ser meu respectivo mais oposto,
Pra me contrariar, pra me confundir.
E tudo o que eu sei é que já não posso mais.
Não além de você,
Não tanto,
Não um recomeço.
Porque você é onde eu mais me estranho
E onde eu mais me reconheço.

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