terça-feira, 28 de abril de 2009
Voltei a sentir aquele aperto no peito.
Aquele estranho aperto no peito
Que cala as minhas palavras quando eu mais quero falar,
Que me transporta para perto quando eu estou longe,
Que não tem sentido nem tem nome,
Mas que evidencia quando eu mais quero ocultar.
Voltei a sentir os sons, os detalhes, as cores,
E me enchi de coragem para depois recuar,
Reconheci os gestos, os olhares, os sabores,
E decidi provar de novo, mesmo com o risco de amargar.
São seus todos esses rostos,
São seus todos os sorrisos,
Esses olhares são sempre os seus olhos
E sempre é também o seu corpo impreciso.
Tão ausente de proximidade
E tão próximo da minha ausência,
A materialização da mais pura felicidade
E a facilitação de uma inevitável desistência.
Você é a mais real negação do meu gosto,
O eu de quem decidi fugir,
E consegue ser meu respectivo mais oposto,
Pra me contrariar, pra me confundir.
E tudo o que eu sei é que já não posso mais.
Não além de você,
Não tanto,
Não um recomeço.
Porque você é onde eu mais me estranho
E onde eu mais me reconheço.



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