quarta-feira, 30 de abril de 2008


Aqui dentro um mundo
Que vê muitos outros à sua maneira,
E lá fora a vida acontecendo.
O que era sério virou brincadeira,
Mas eu de tudo fui me escondendo.
Ontem eu deixei de ver o Sol se pôr
E hoje não pude vê-lo nascer,
Porque a vida foi assim, acontecendo,
O dia escurecendo,
Mas eu não soube perceber.
O circo passou, a banda tocava,
Mas eu não saí para ver a fanfarra.
Eu até tentei, eu até quis,
Mas por medo pensei
Não poder ser feliz.

Grande espaço é esse
Que sedia tantos acontecimentos simultâneos.
Vida longa, vida curta,
Espaço-tempo momentâneo.
Hemisférios opostos, que se
Confrontam entre luz e escuridão.
Um, antítese do outro,
Planeta terra da cegueira e da visão.

E não é que a vida vai acontecendo?

Uns poucos que riem,
Outros tantos que choram.
Há os que se perdem e
Os que se acham no caminho.
Há ainda caminhos que se cruzam,
Endereços que mudam,
Há flor, há espinho.
Porque essa nossa vida,
Que sabe ser de todo mundo,
Ela não brinca,
Ela está aí pra tudo.
E não se engane ao achar ter
Conhecimento absoluto,
Pois a razão se perde em
Apenas um segundo,
E um acaso vai te dizer
Que você não sabe nada,
Que essa sua história pequena
Não é a única a ser contada.

Hoje aqui é noite,
Mas onde pode ser dia?
Morreu de ignorância o jovem,
Que por pouco viver, pouco sabia.
Seja o céu coberto de negro
Ou olhares que se fecham
Para se perderem no mundo interior.
Por medo, por receio, as pessoas
Se negam o direito à dor.

E o Sol?
Sol de tantas sortes,
Que escolhe onde quer brilhar,
Que vida ele ilumina
E que sabe quem há de vê-lo.
Porque a vida vai assim, acontecendo,
O dia escurecendo,
Mas nem todos sabem percebê-lo.


Os dias passados juntos,
Os desejos compartilhados,
As nossas visões de mundo,
Os sonhos que nos foram roubados.

Se foi azar, se foi sorte,
Não me importa;
Se foi tristeza ou alegria,
Não me incomoda.
O que eu sabia era que
Sempre estaríamos unidos,
Independente da experiência;
Não havia elos perdidos
Na nossa convivência.
O nome de tudo isso:
Interdependência.
Mas por costume,
Um velho termo também lhe cabe:
Não vejo diferença
Entre interdependência e amizade.

Não preciso ser misteriosa para ser interessante.
Não preciso ser teimosa para ser irritante.
Não preciso sentir medo para pedir ajuda.
Não preciso ser culpada para pedir desculpa.
Não precisa de rimas para dar graça aos meus pensamentos.
Não preciso ser delicada para ser feminina.
Não preciso ser fresca para ser chique.
Não preciso ser enjoada para ter bom gosto.
Não preciso ser cruel ao ser sincera.
Não preciso ser grossa ao dizer um não.
Não preciso falar para que saibam o que penso.
Não preciso explicar para que me entendam.
Não preciso de silêncio para me concentrar.
Não preciso estar sozinha para sentir falta de alguém.
Não preciso sentir sono para ir dormir.
Não preciso estar no campo para sentir paz de espírito.
Eu não preciso de muitas coisas para ser eu mesma,
Mas ainda assim sou incompleta.
E sem esses pedaços que me faltam,
Consigo ser feliz.
Eu não preciso de muito para me
Sentir realizada.

Eu vou me jogar fora. Cheguei num estado tão deplorável e inútil, que já nem sirvo para ser reciclada. Não vejo nada que liberte minhas idéias ou que aprisione meu espírito, a ponto de eu me sentir totalmente forte ou fatalmente fraca para escolher um lado. Estou enfadada dos meus próprios pensamentos, da minha voz rouca que não sabe dar gritos de vitória. Tenho sempre as mesmas frases, os mesmos desejos, os mesmos medos, as mesmas rimas. Perde a graça, sabe. É chato defender sempre a mesma linha de raciocínio, que por engano muitas vezes eu pensei ser diferente. Mas que nada! Sempre foi tudo muito igual. Eu vou me jogar fora, porque chegou a minha hora e isso só eu sou capaz de sentir. E essa foi uma das poucas coisas que eu consegui descobrir sozinha: que eu já não sirvo mais. Se bem que não sei ao certo se cheguei a servir um dia. Eu me olho e vejo apenas aspirações. Vejo anelos frustrados que sempre fizeram parte de mim ou que eu mesma me obriguei a sentir para tentar ser alguém diferente, na esperança vã de ser normal. Porque um dos meus pensamentos antiquados, mas totalmente certo, é o de achar que para ser igual a todo mundo, você tem que ser diferente. Mas eu não soube ser nada disso. Eu só consegui ser uma aspirante. Quando lembro dos absurdos que já disse, das coisas que fingi achar para tentar chamar a atenção. E dava tudo sempre muito errado. Atenção eu conseguia chamar, mas de um modo negativo. Bobagem alguém dizer que não se importa com o que os outros pensam. Ainda não conheci ninguém que se sinta confortável tendo em volta olhares de reprovação. Queremos sempre que nos reparem, que nos comentem. Seja para dizer que somos legais, adoráveis, ou que somos pessoas autênticas, que levam a vida sem se importar com a opinião alheia – o que não é verdade. Queremos sempre que nos olhem. Lamento por apenas ter conseguido que me olhassem como alguém ruim, que não tem respeito pelo outro nem por nada. Mas não sei que medo é esse que sempre me coagiu, sempre me obrigou a esconder as coisas em mim que poderiam vir a ser boas. E agora eu descubro que preciso me jogar fora. Demorou até demais. Não sei como não pude perceber logo o mau odor que me envolvia, o mau gosto de muitas das minhas palavras e a putrefação das minhas idéias. Meu olhar transmite maldade, meus comentários são impiedosos. E eu me sinto mal ao me dar conta de tudo isso. Estou passada da validade. E o que mais me deixa triste é saber que o tempo todo eu fui uma covarde, que só agora, na hora do adeus, ousa dizer como se sente. Eu queria dizer sem medo que eu adoro futebol, que curto ouvir Laura Pausini, que durmo com ursinho de pelúcia e de barriga pra cima, que sonho com um príncipe encantado e que tenho medo de perder as pessoas que amo. Eu queria ter tido coragem de dizer verdades boas, sem o velho receio de ser chamada de tosca ou puxa-saco, de dar um abraço quando senti vontade, de oferecer arrego a alguém que precisava. A hora do adeus não é a hora da morte, é a hora da vida. É o momento em que você descobre coisas que sempre escondeu de si mesmo e nem tinha idéia de como poderiam ter feito sua vida mais feliz. Ou simplesmente mais significante. E só agora, na hora desse adeus, eu descubro que o tempo todo eu caminhei em cima do muro. Não sei nem dizer se esse meu ato de me jogar fora é corajoso ou o mais covarde de todos que já tive. Porque ou me falta coragem de enfrentar meus defeitos ou me sobra para tentar recomeçar. Mas eu sinceramente não sei. Eu nunca soube. Vou me jogar fora. Quem sabe no lixo eu descubra o que me faz feliz.


Eu ajudo quem precisa porque isso me faz sentir bem.
Eu divido com quem não tem porque isso me faz sentir mais humana.
Eu cuido bem dos meus amigos porque tenho medo de perdê-los.
Eu tento ser legal porque a maioria das pessoas não gosta de gente chata.
Eu tenho medo de perder as pessoas que amo porque elas me fazem feliz.
Eu adoro estar com meus amigos porque eles me fazem bem.
Eu procuro me relacionar com quem tem algo a me acrescentar, seja bom ou ruim.
Eu evito mentir para não correr o risco de ser pega na mentira.
Eu me aproximo dos outros porque tenho medo de ser sozinha.
Eu tento sempre ser sincera porque meu olhar me entrega.
Eu ofereço um ombro amigo porque posso precisar de algum um dia.
Às vezes eu finjo ter paciência para que não digam que eu reclamo de tudo.
Eu, hein! Eu sou uma interesseira!

Sou Fera!!


Não dependo de você pra vencer,
Pra ser alguém na vida.
Eu sou mulher,
Sou fera ferida.

Sou fera que luta,
Insiste e persiste,
Só pra não precisar
De você pra vencer.

Sou fera que arranha
Quando mexe na cria.
Tenho minhas artimanhas,
Minhas manias.
Exijo meus direitos,
Mas também cumpro meus deveres.
Sei discernir o certo e o errado,
Tenho angústias e prazeres.

A vida não me reservava
Um bom futuro.
Mas eu fui fera,
Fui mulher e mudei o mundo.
Tentaram cortar minhas garras,
Mas elas estavam afiadas.
Lutei com coragem,
Ganhei tudo, não perdi nada.

Hoje estou no topo,
Estou em tudo,
Sou dona de mim,
Sócia do mundo.
Sou feliz por ser mulher,
Por não ser a mulher que eu era.
Sou sempre eu mesma.
Sou fera.

Contradição


Procuro ser o que ninguém é,
mas ao mesmo tempo careço
de uma inspiração.
Tento viver a minha vida sem regras,
sem dar explicação.
Me mostro para os outros,
mas me escondo de mim.
Me amo,me adoro,
só que nem sempre
quero ser assim.
Eu falo,eu grito,
mas acho que ninguém me escuta.
Eu esperneio,eu revido,
mas sempre acabo perdendo a luta.
É uma briga interna,
onde eu perco e ninguém ganha.
Onde eu bato,eu machuco
e meu coração apanha.
Quem sou eu??
O que faço??
O que quero??
Não sei dizer...espero.
Espero resposta de alguém
que talvez consiga me decifrar,
que me diga quem sou
nessa vida louca,
que teima em me machucar.
Eu sorrio...mas pq não há remédio...
choro...risos...tédio.
Tudo volta a ser o que era,
pois não se pode maquiar a vida.
A gente pode até disfarçar,
mas as lágrimas da alma
sempre acabam borrando a maquiagem,
mostrando no rosto
o que guardamos no coração.
Eu tento entender tudo isso,
mas sempre caio em contradição.
Não queria necessariamente entender a vida,
mas queria aprender a viver.
Queria mais que existir, queria ser.
Ser alguém, poder fazer a diferença,
quem sabe pelo menos dentro de mim.
Quero ser essa mesma,
mas também queria não ser assim.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Sozinha

Primeira postagem
:)

Quando eu me sinto só, descubro que esse meu vazio deve-se à minha incapacidade de prender as pessoas a mim e ao mesmo tempo da minha repulsa por qualquer tipo de sentimento que consiga me prender a alguém. Quando me vejo por entre sonhos, medos e buscas, me perco, me encontro, me confundo. E posso então perceber como é difícil ser escudo, ser ataque e ser paz. Posso enfim compreender que eu não posso ser tudo, que meu silêncio não precisa ser mudo, que o ontem ficou pra trás. Vou seguindo. Sempre? Nunca? Quem sabe? Jamais! E pela falta do querer, por pouco amar e quase nada sentir, vou me tornando ainda mais sozinha, cada vez mais fria e pessoal. Meus sentimentos são contados, gotas de emoção quase nunca derramadas. Uma voz, um soluço, uma falta. Não senti frios na barriga, não vi uma luz no fim do túnel, não demonstrei, pois nada havia para ser exibido, me ocultei em frases curtas e em olhares despercebidos. E ainda me escondo, ainda fujo. Não tente me encontrar por alguma rua ou em algum sorriso perdido, que solta-se involuntariamente. Eu caminho sozinha, a passos curtos e humor ausente, demora um pouco, mas com esforço chego à frente. Sozinha, sem amores e sem lágrimas, sem perdas, sem conquistas. Sozinha.

;;