sexta-feira, 29 de agosto de 2008

O certo do desgosto, a pele pedindo o oposto,
As mãos escondendo a vergonha.
O rosto afundado no colo, a incerteza do propósito,
A vontade dona da razão.
O beijo assobiado no pescoço, a face vítima dos dedos,
O contato perdido que se acha em meio ao silêncio.
Venera.
Sente.
Toca de longe e percebe o ausente.
Espera pelo inesperado.
Multiplicidade atraente.
Ter o impossível e conceber o inexistente.
Dar sem ter e não interromper o intermitente.
Vacilo do coração, insistência da mente.
E continua no escuro, num gesto mudo,
Querendo se fazer escutar por quem
Não é capaz de ouvi-la.
Respectivo surdo, que dá de ombros,
Pega a mochila do chão e vai embora.
Para ver o mundo, para a solidão,
Para o agora.
Coitada dela.
Vive a gosto de quem não lhe gosta.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Espera

Estava aqui, esperando silenciosa que você me fizesse embarcar em cada ida e vinda que são suas palavras. Que me fizesse experimentar de novo o sentir de perto, o enigma dos olhares, a boca semicerrada, o querer... a nossa vontade. Eu gosto quando você finge não me ver. Juro a você que eu gosto. Não sei explicar, mas há algo de orgulhoso e ao mesmo tempo engraçado nesse não falar primeiro, não deixar transparecer o que se sente, calar a voz da alma. E você cala tão bem. E quase nem me escuta. Mas eu gosto. Juro a você que eu gosto. É bom sentir, é bom tentar adivinhar. Já não me fale, não me avise. Mas me deixe te ver, ainda que do outro lado, num olhar atravessado, numa espera, numa procura, talvez. Se chegar, me faça surpresa, não acenda a luz e tire os sapatos. Eu vou saber, pelo som abafado dos seus passos, pelo jeito que você balança os braços, que a minha espera acabou. Seria a chegada do certo, a insistência do errado ou até mesmo um simples medo da solidão? Acho que não vou saber nunca. Limito-me a sentir e a falar que sim, terá fim a minha espera. E quando meu coração ousar sentir dúvidas, me abrace, me diga que eu sou uma fraca e me faça embarcar, por favor, nas idas e vindas que são suas palavras.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

°Para Diiiigo... hihi... piada interna !

Ele arranha a minha pele com sua mão firme
E me desmonta com sua paciência quando
Eu já nem mereço atenção.
Ele me procura quando eu menos espero
E avisa ao meu ego que ele vai dar em solidão.
Ele embebeda meus pensamentos,
Vicia os meus músculos e amolece o meu corpo.
Ele sabe ser, sem desmerecer, o muito no meu pouco.
E me conhece, e me entende, e me diz verdades
Sem nem me perguntar se eu as quero.
E me abraça, me surpreende, como ninguém,
Como eu anelo.
E tem todo o sorrir que me desconcerta,
Toda palavra certa na hora errada,
Todo jeito de olhar seguro,
Pra dizer pro mundo que a alegria é chegada.
Silencia, conversa com os olhos,
Escuta com o coração.
Evidencia, conforta quando eu choro,
Não disfarça a conexão.
Me entorpece, desobedece sentido,
Juízo e razão.
E minha prece é tê-lo comigo,
Num abraço infinito, numa perfeita junção.

Imaginário perfeito

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Desafiando

Eu vou dançar balé no meio-fio,
me encontrar com a dor e o desvario,
beijar a morte e tentar fugir.
Eu vou desafiar minha própria sorte,
rasgar meu peito em fundo corte
e pôr nele razão de existir.
Eu vou andar silenciosa pelos fundos de casa,
cavar um buraco e enterrar meu coração.
Eu vou subir na torre mais alta,
andar em vidro descalça
e apagar fogo com a mão.
Eu vou beber água de esgoto,
ter algum gesto um tanto escroto,
cortar os pulsos e sequestrar algum refém.
Eu vou agir por puro impulso,
dar ao amor um certo custo
e então negociá-lo com alguém.
Eu vou subornar meus sentimentos,
chantagear meus pensamentos
e brigar de vez com a razão.
Num fim de tarde, vou pular do meu apartamento,
ter um segundo de arrependimento,
e dar por fim com a cara no chão.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Nossa oferta

Você me olha,
afaga o meu cabelo,
me dá um beijo no queixo
e me fala sem falar.
Eu entendo,
transmissão de pensamento,
se eu me vejo em seus olhos,
a idéia é singular.
Falamos de amor,
só de amor.
Como ninguém é capaz de falar,
como ninguém é capaz de ouvir.
Sentimos amor,
só amor.
Como ninguém é capaz de ofertar,
como ninguém é capaz de sentir.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

O resultado de uma pessoa que tem se desesperado nessas Olimpíadas



Eu sempre adorei futebol. Jogar mais do que assistir, embora não tenha lá muita habilidade e intimidade com a bola e não entenda do assunto. Mas o futebol... ah, o futebol sempre foi a minha paixão. Tão especial, que vou falar sobre isso ainda. O que tem me comovido hoje, durante essas Olimpíadas para ser mais precisa, é o vôlei. Eu gostava de jogar vez ou outra, mas sempre o deixei em segundo plano. O de praia, menos ainda que o de quadra, conseguia prender a minha atenção. Mas eu sou brasileira, e parece que cada brasileiro nasce com um gene que não determina para qual esporte, mas que apenas ele deve torcer. Ele passa pela frente da televisão segurando uma caneca de chocolate quente – ou café, assim prefira -, vê o verde e amarelo correndo, saltando, mergulhando ou seja lá o que for, e pára. Olha ainda desinteressado, faz um muxoxo, mas resolve se sentar. Não tem nada melhor passando mesmo. Aí é que, sem perceber, já está dando gritos, sofrendo pela bola que não entrou, pelo saque errado, pelo atleta que já parece exausto para continuar numa maratona. E ele fica lá, roendo as unhas, sentindo o coração parar, às vezes bater mais rápido que o humanamente possível, acordando os vizinhos com os urros altíssimos, ora de alegria, ora de raiva. E quando é vôlei que está passando na TV... ah, quando é vôlei... parece que o mundo vai desabar. É incrivelmente emocionante, como poucas partidas de futebol (realmente algumas são desestimulantes). Eu tenho me sentido em tempo de copa esses dias. Parece que a todo instante o Brasil vai ter uma partida decisiva contra a Argentina e que a qualidade do futebol do país está em jogo. Mas é vôlei, e eu estou ali, sem conseguir me acalmar, gritando, chorando, sofrendo. E como eu sofri hoje, como eu sofri! Ver a Renata e a Talita perderem para a dupla norte-americana Walsh e May – é, atualmente elas formam o melhor time de vôlei de praia do mundo e são as campeãs olímpicas – foi simplesmente terrível. Bloqueia, bloqueia! Vai, Talita, ataca! Não erra o saque, não erra! Eu entrei em desespero. Sentei, deitei, desforrei o colchão, tive esperanças, perdi todas elas. Eu não sou uma boa perdedora. Não quando se trata de ver o Brasil não conquistar algo que foi tão suado, tão sofrido. Eu não tenho nem idéia de como se sente um atleta que vê anos de treinamento serem dissolvidos em apenas alguns minutos mas, como torcedora fiel (sempre que posso), percebo como é frustrante. Você vai se sentar na frente da TV carregando sonhos, expectativas de ver o Brasil subir no pódio e beijar a tão sonhada medalha de ouro. E de repente você vê que acabou, que um erro simples, ou talvez nem tanto assim, vai te fazer esperar por mais quatro anos para ver e sentir tudo de novo. E eu vou esperar, impaciente, sonhadora, até ver o Brasil tentar novamente, sacar com mais firmeza, defender com mais rapidez e não respeitar a equipe que estiver do outro lado. Porque respeito é fundamental, mas é a ousadia que garante a vitória.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Danou-se!

Não necessariamente ouvir.
Não necessariamente tocar.
O necessário torna-se dispensável
quando o inevitável começa a se desenhar.
E tapam-se ouvidos,
calam-se bocas,
aceleram-se corações.
Nervosismo.
Garganta seca.
Palpitações.
E por um segundo, quase interminável,
parece que a gente vai morrer.
As mãos tremem demais,
o corpo perde a coordenação,
os pés caminham sem perceber.
Perde-se a fala,
ganha-se a vergonha,
e tudo é muito para fazer sorrir.
A mente que não se confunda,
o coração que não se oponha,
porque amar é querer sem pedir.

domingo, 10 de agosto de 2008

Sinestesia

Habita.
Há vida.
E um tantinho de ilusão.
Esconde.
Evita.
A resistência é em vão.
Há gosto.
Há toque.
Há cheiro na cor.
O ouvido quer.
E a boca pode
falar palavras de amor.
A voz ecoa macia.
O tato tem sabor.
Sinestesia.
Mistura-se?
Já misturou.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Partes minhas

Um pouco de mim em cada muito que deixo.
Eu já comecei pelo fim e revivi o começo.
Intenções em entrelinhas ou tudo branco no preto.
Eu já caminhei sozinha e já entrei em desespero.

Minhas emoções estão não sei onde,
Eu mesma me despercebo.
Meu eu de mim se esconde,
No meu tarde ainda é cedo.

Eu me conto mentiras e não me encaro no espelho.
Falo de coisas que não sinto e o que sinto, desconheço.
E há sempre um pouco de mim em cada escuro que vejo.
Eu sou parte de mim e metade do inteiro.
Sou um não quase sim, que só não digo por receio.
Por medo da desilusão, meu afim é o segredo.
Eu sou meio, fim e começo.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Apressada

Desceu apressada as escadas,
passando os degraus de dois
em dois... esbaforida, tropeçou
numa coisa chamada amor...
arregaçou-se toda lá embaixo.

domingo, 3 de agosto de 2008

Vire-se!

Distância para tentar esquecer.
Saudade para lembrar que
deixar de amar é impossível.
Como algo pode ser maior
que o próprio querer e
ultrapassar barreiras do intransponível?
Deixa, coração, porque já é tarde
para você lutar.
Passou o tempo de ser apenas paixão.
Tens a obrigação de agora amar.
E ainda que ele lhe dilacere os músculos,
não recue, não se renda.
Por mais que amar pareça absurdo,
a razão que atenue, a mente que entenda.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Invejosa

Todo mundo tinha um amor,
menos ela. Ah! Isso é sim
de dar inveja...

Autoritária

Queria mandar até no coração.
Vê se pode!?

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