sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Saudoso

Queria tudo como antigamente:
A mesma companhia,
O mesmo jeito de olhar,
O mesmo almoço aos domingos.
Fotos, lembranças, cartas...
Dispensava todas elas.
Desejava o mesmo contato,
O mesmo abraço...
O velho colo.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Ele vai dizer que o destino é o culpado, que a vida é muito injusta e que toda felicidade custa um pouquinho de dor. Mas vai se arrepender por não ter vivido ao máximo e não ter percebido que ser sozinho era pior. Vai chorar amargamente por tudo que deixou de lado, pelos abraços rejeitados e pela falta de amor. E não vai se perdoar por ter sido tão covarde, por perceber muito tarde que poderia fazer melhor.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Letal

°Ah, não me veio à mente nenhum título melhor...

Sufocou o sentimento o máximo que pode,
Deixou o coração sangrar gota a gota,
Até não poder mais.
Não fazia questão de estancar a ferida,
Nem colocava-lhe remédios para amenizar a dor.
Mas vejam, que cruel é a vida:
O mal de que mais se sofre é o amor.

Que saudade de você em meus dias,
E que ciúme dessa sua felicidade sem mim.
Meu coração te amou como e quanto podia,
Mas sua mania de liberdade te levou enfim.
E recordo da sua voz,
Das suas mãos balançando enquanto falava,
Dos seus gestos de carinho,
Da maneira como me olhava.
E a lembrança me cobra coisas que eu já não posso ter,
O peito reclama um novo sentimento,
Mas coração e pensamento só dirigem-se a você.
E deito, levanto, não durmo.
O corpo desobedece
E segue a seu bel prazer.
Minha prece é alta, mas só eu a escuto,
E suas portas e muros não me deixam te ver.
Sua falta é sangramento que eu não sei como conter,
A vontade não cala e a tristeza não tem fim.
Você acha absurdo eu ainda te querer?
Bem, na verdade, eu sim.

domingo, 19 de outubro de 2008

Frouxo

Tentou fugir por todos os lados,
Subir pelas paredes e até pular da janela.
Soltou um grito abafado,
Deu cabo da própria coragem
E se escondeu pra sempre dela.
Covarde!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Me rendo

E quando a maior surpresa
Acaba sendo um desdém desconcertante,
As borboletas nem chegam perto
E o frio na barriga passa ainda mais distante.
Quando o sorriso já não é mais o mesmo,
Quando a voz soa diferente,
O escárnio é muito e o orgulho vem na frente...
Aí, meu amigo... aaaah...
Aí o coração pede penico.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

A casa hoje está vazia
E a solidão rói a minha alma em pedaços pequenos
A tristeza inunda minha rápida alegria
E as lembranças dos seus beijos são boas doses de veneno


Escuto ruídos de felicidade alheia
E me tranco no quarto para fugir da inveja
Minha essência torna-se podre e feia
Ao muito desejar o que não raro se oculta dela


E nessa luz artificial do meu refúgio
Posso ver o desenho do meu próprio fracasso
As vozes, eu já não as escuto
Mas a desesperança me segura firme pelo braço


E eu pude sim, crer em tudo isso um dia
Mas um vulto de realidade ofuscou minha pobre crença
E não quis caber no peito essa felicidade arredia
Restando apenas essa terminal doença


E afundo a cabeça no travesseiro
Como para amenizar uma dor que não tem cura
Aqui, a solidão chegou primeiro
Mas tem como aliado um dedo de loucura


Loucura esta que apaga os vestígios
De, quem sabe, uma possível reação
Mas meu corpo pede o martírio
Minha alma quer tocar o chão


E enlouqueço em silêncio
Para não atrapalhar a felicidade dos sãos
Sua lembrança é uma dose de arsênio
Que eu tomo aos poucos, até parar meu coração.

domingo, 12 de outubro de 2008

Quem vai falar aos loucos
da sandice que os cerca?
Quem vai abrir os olhos
de quem vê e nada enxerga?
Como estragar a alegria
de quem se contenta com pouco?
E como pedir em dobro
de quem não desfruta dela?
Abafem as vozes, porque no fundo
ninguém quer mesmo falar.
Afastem suas mãos ferozes
do alcance de quem teme se machucar.
Bebam suas próprias certezas
em taças de ouro, porque apenas
os tolos escolhem se enganar.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Opostos

Para mi vecina... Não, eu não sou lésbica! Mas ela disse que se identificou.
Dois corações, dois versos
E um só sentimento.
Ele falava da alegria,
Ela falava da dor.
Mas essa desigual poesia
Cantava as faces do mesmo amor.
Para ele sim, para ela não.
Ele queria tocar o céu,
Ela plantava os pés no chão.
Tão opostos a ponto de se repelirem,
Tão desiguais a ponto de se completarem.
Tão orgulhosos a ponto de mentirem,
Tão sozinhos a ponto de se amarem.
Um era a falta do medo,

O outro era a certeza do fenecimento.
O duvidoso era o destino do primeiro,
O segundo não limitava-se ao momento.
Dois corações de pedra
Guardando o instrumento que haveria de quebrá-los.
Duas visões da mesma meta,
O antagonismo a separá-los.
E viver um sem o outro
Era realmente a melhor decisão.
Nem sempre o complemento é o oposto,
Alguns sonhos não têm realização.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Tentando

Ainda me toca cada palavra,
Ainda me faz estremecer cada olhar.
Jamais experimentei presença tão vaga,
Que sempre fica aqui sem nunca estar.

Seu toque é o mais macio e inalcançável,
Sua voz é a mais suave e silenciosa.
E eu não aceito essa presença desagradável,
De um amor que pede sem dar nada em troca.

Não me conformo com o errado que em mim é certo,
Não me conformo com o não que deveria ser sim,
Não posso estar longe desejando estar perto,
Não gosto do começo tão junto ao fim.

Como me desapegar desse sentimento?
Como não ser egoísta e não te querer?
Me explica, que com esforço eu aprendo
A não te carregar no peito, a enfim te esquecer.

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