terça-feira, 14 de outubro de 2008

Suicídio amoroso

A casa hoje está vazia
E a solidão rói a minha alma em pedaços pequenos
A tristeza inunda minha rápida alegria
E as lembranças dos seus beijos são boas doses de veneno


Escuto ruídos de felicidade alheia
E me tranco no quarto para fugir da inveja
Minha essência torna-se podre e feia
Ao muito desejar o que não raro se oculta dela


E nessa luz artificial do meu refúgio
Posso ver o desenho do meu próprio fracasso
As vozes, eu já não as escuto
Mas a desesperança me segura firme pelo braço


E eu pude sim, crer em tudo isso um dia
Mas um vulto de realidade ofuscou minha pobre crença
E não quis caber no peito essa felicidade arredia
Restando apenas essa terminal doença


E afundo a cabeça no travesseiro
Como para amenizar uma dor que não tem cura
Aqui, a solidão chegou primeiro
Mas tem como aliado um dedo de loucura


Loucura esta que apaga os vestígios
De, quem sabe, uma possível reação
Mas meu corpo pede o martírio
Minha alma quer tocar o chão


E enlouqueço em silêncio
Para não atrapalhar a felicidade dos sãos
Sua lembrança é uma dose de arsênio
Que eu tomo aos poucos, até parar meu coração.

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