sábado, 21 de junho de 2008

Tímida

Cinco dedos, um desejo e a falta de coragem.
Tocaria? Ousaria? Queria tanto sentir!
Um ato, um braço flutuando no espaço, mas...
Foi só meio ato.
A pausa, o receio.
Um gesto de retrocesso, a tristeza do insucesso
Pelo que nem chegou a ser tentativa.
As projeções do “se tivesse coragem”,
A mão fina e covarde que não se atrevia a tocar.
Era só um toque, um choque,
Um rubor de nada, um sorriso sem graça
E um assunto inventado ali, na hora mesmo.
Mas ela ousaria? Se atreveria?
Não, a timidez era maior.

Permaneça

Não, eu não aceito sua partida!
Não agora. Não nunca.
Nem ouse levantar a mão para me dar adeus,
Ou tocar a minha face com um beijo gélido
Para me dizer que se vai.
Fique mais um pouco, talvez não tão pouco,
Fique muito, fique mais.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Eu nunca quis

Mais uma vez, eu fui olhar aquela sua foto. Acho que por puro costume. Às vezes eu a vejo, mas meu olhar não penetra o seu e eu já nem te percebo. É algo automático: minhas mãos sempre buscam na minha bagunça, vasculham a velha caixa de cartas, até encontrarem aquela foto sua. Sem querer, sem perceber, e quando eu me dou conta, já estou admirando o seu sorriso, um pouco torto e forçado, mas ainda assim, lindo. Eu odeio essa sua barba e essa sua cara despreocupada, de quem não está aí para nada. Mas adoro a sensação de paz que você me passa, até mesmo a confusão que você faz se instalar em mim. Sinto falta das suas palavras firmes, da sua certeza de tudo e da sua vontade de abraçar o mundo. Sempre crítico, sempre enxergando além, sempre vendo coisas em mim que ninguém mais era capaz de ver. Tão normal se sentir especial ao seu lado. Tão bom, mas ainda assim desnecessário. Eu não precisava sentir nada de diferente em mim, pois sentir você me bastava. E como uma brisa suave, seu cheiro bate à minha janela e eu ponho a cara na rua para poder senti-lo. É cheiro de amor: leve, suave, mas preciso, conciso, entorpedecedor. E ele me envolve com tamanha exatidão, que posso até sentir os pêlos do nariz arrepiarem. Então eu lembro que um dia esse amor me fez uma visita, radiante, extremamente agradável, porém breve. E na sua passagem, ele me deixou um gosto. Ah...! Que gosto! Era gosto de felicidade. Eu poderia experimentá-lo quantas vezes fosse e ainda assim ele não me enjoaria. Só que ele se cansou de mim e de saciar o meu paladar. Saudade: é só o que me resta. As lembranças me prendem e a memória me empresta: beijos dados, abraços nos fins de noite, carícias, a mão perdida no rosto e os olhos fechados, como para senti-la melhor. Por que você se foi? Por que eu deixei você ir? Eu não poderia, eu não deveria, eu nunca quis.

Vazia


Só o que havia de grande nela
Era o vazio que sentia.
E não arriscava-se no amor,
Porque amar não sabia.
Conseguiu apaixonar-se.
Foi feliz por um tempo.
Curto tempo, é bom saber.
E depois voltou o vazio e
A insignificância do seu ser.
Experimentou abrir feridas no peito,
Chorar um pouco,
Sofrer alguma frustração.
E aquela dor era o remédio perfeito-
Pensou ela- para o seu coração.
Mas quanto mais se machucava,
Mais triste se apercebia e
Mais vazia se achava.
A dor na verdade era um incômodo,
Que por necessidade ela abraçara.
Queria ser feliz.
Mas como?
Somente a tristeza ela imaginara.
Não sabia de felicidade,
Era leiga no amor.
Mas amor é ambigüidade,
É alegria, ferida e dor.
E a dor muito bem ela conhecia,
Era íntima sua e única companhia.
E viveu então em dores,
Infelicidades e dissabores.
E a alegria?
Não, ela não veio.
Por ser vazia não achou um meio
De vivê-la um dia.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Hoje eu estava pensando em como às vezes me forço a gostar de alguém, como muitas vezes invento paixões que não existem, buscando uma maneira de aquietar e preencher o meu coração. Pensei também em como tudo isso é inútil, porque nenhum amor de mentira resiste à rotina, aos erros e às imperfeições do outro. Sempre tive a plena certeza de que eu sou fria e insensível. Mas confesso que hoje começo a me opor a essa idéia e a pensar duas vezes antes de dizer “eu nunca vou amar alguém”. Lembrando de coisas que aconteceram comigo, percebi que eu não sou tão durona como gostaria de ser. O que acontece é que eu sou do tipo de pessoa que pensa muito - e quando eu falo muito é muito mesmo! - antes de tomar uma decisão, por medo de errar na escolha ou talvez por simplesmente ser perfeccionista. Com meus sentimentos não poderia ser diferente. Eu não consigo gostar de ninguém como um passatempo, um modo de esperar a pessoa certa acompanhada da errada. Eu quero me jogar no amor, mas me jogar uma vez só, sem volta, sem culpa, sem receio. Não vejo necessidade nenhuma em me apegar a uma pessoa que eu não desejo que seja eterna em minha vida. Pode parecer até muito romântico da minha parte, mas a verdade é essa mesma: eu sou romântica. Não romântica porque gosto de receber flores, jantar à luz de velas ou qualquer coisa do tipo – para ser sincera eu detesto tudo isso, acho uma breguice! -, mas porque eu idealizo o amor. Um amor que aconteça apenas uma vez e que não precise ser eterno para ser inesquecível. Então pra quê eu vou me empatar com alguém que eu sei que não vai ter futuro para mim, que vai apenas preencher uma parte da minha essência? Não se ama pela metade. E eu quero um amor inteiro, que me complete, não que apenas me dê migalhas de emoções. Eu sei que não vou encontrar ninguém perfeito, não preciso nem ser alertada quanto a isso. Tenho consciência de que meu perfeccionismo muitas vezes me atrapalha e me impede de conhecer bem as pessoas e até quem sabe me deixar envolver. Mas eu sei também, embora nunca tenha amado ninguém, que o amor é maior do que qualquer orgulho, qualquer mania de perfeição. A gente ama e pronto, não tem explicação. Você não morre de amores por uma pessoa só porque ela lhe parece fisicamente bonita, é bem educada ou fala bem. Tanta gente que é maltratada, desprezada e ainda assim se arrasta por amor. Você não escolhe quem vai amar, você ama e acabou, mesmo que não queira e negue isso a si mesmo. O amor é um perigo. Mas eu não posso negar que estou doida, doida mesmo para correr esse risco.

terça-feira, 17 de junho de 2008

À toa

Poesias inacabadas, sonhos frustrados, desejos omitidos, minha vida resume-se a coisas incompletas e vontades implícitas. Não há sentido em nada que falo nem sinto, meus pensamentos são devaneios e pecados íntimos. E cada desejo que me vem é como uma negação das minhas próprias idéias, transformando-me numa contradição que me enlouquece. Um dia eu prometi a mim mesma que iria decidir sobre o meu coração, meus sentimentos e planos. Mas quem pode mandar em tudo isso? Hein? Me diz. Eu perdi a direção da minha própria vida e estou andando por um caminho que eu desconheço, buscando um destino que nada tem de semelhante ao que prometi buscar. Algumas vezes – algumas vezes, eu disse? Quase sempre!- eu me sinto ferida, mas procuro um motivo para isso e não encontro. Acho que a solidão e a falta de alguém que te machuque é a pior forma de se ferir. Talvez a menos provável, mas ainda assim a mais triste de todas. Inútil achar que você mesmo basta para ser feliz. As pessoas, mesmo as que não conhecemos - acho que principalmente essas-, fazem falta, são indispensáveis para sermos completos. E eu sempre fico com aquela vontade e aquela esperança de que ainda vou encontrar a pessoa que vai mudar a direção da minha vida, que vai tirar o chão dos meus pés e me fazer sentir uma felicidade idiota. Todos nós sempre esperamos, na verdade. Não adianta negar. E enquanto essa pessoa não vem e nem dá sinais de existência, vou caminhando a esmo, sem muita certeza de onde vou chegar.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Culpada!!

Não é a noite, que envolve o céu em negritude e traz aquela sensação de abandono. Sou eu, que carrego um peito solitário e me perco em meu escuro íntimo. Eu não sou feliz. Eu sou triste. Eu sinto falta sem nunca ter tido e me investigo pra descobrir quem sou. Eu me perco em meus próprios espaços, erro nas intenções e nos passos e nunca encontro o amor. Sou terrivelmente cabeça dura, não escuto, me obrigo a não entender certas coisas, porque esse é o meu jeito de fugir, o meu jeito de não sofrer. Eu procuro não perceber sentimentos, porque sei que em algum momento, eles vão me enfraquecer. E eu não gosto de me sentir fraca, eu não gosto de admitir que preciso mais do que de mim mesma para me sentir realizada. Eu posso até gostar, sentir afeto, mas se o faço, o faço calada. Eu sou fútil, egoísta, interesseira e nunca estou satisfeita com o que tenho. Resultado? Só me lenho! Sempre acho que posso ter mais, porém faço pouco ou quase nada. Eu sonho muito, mas espero sentada. Sou preguiçosa, vida mansa e acomodada. E as coisas nunca chegam, o tempo passa e eu me sinto sempre triste, sempre sozinha. E eu vou culpar a escuridão da noite? Não! É culpa minha!

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Aff

Como se não bastasse meu secador, que resolveu me deixar na mão, as propagandas agora só falam sobre o “bendito” dia dos namorados. Parece que esse povo faz de propósito, só pra me lembrar que eu sou uma encalhada. “Com a nossa operadora, você e o seu amor falam muito mais por muito menos”. E eu com isso? Amor? Que amor? Tenho ninguém não, meu filho! Pra mim não faz diferença se é mais ou menos, não tenho pra quem ligar mesmo. Nem quem ligue pra mim. Para completar, os programas ficam exibindo casais felizes, que contam como aconteceu o amor com eles, ou então uma daquelas pessoas desesperadas, que resolvem apelar pra mídia e perguntar com a cara mais cínica: “alguém quer namorar comigo?”. Aaaah!! Eu não mereço isso!! Não sou obrigada a ficar vendo esse tipo de coisa. Já basta acordar toda manhã e lembrar que ninguém vai me ligar pra me desejar um bom dia ou para me dizer “te amo, me liga mais tarde”. Mal começou o dia e a TV já falando de amor. O amor não existe, gente! Tão simples entender isso. Só o que acontece é que algumas pessoas têm a sorte de encontrar uma outra idiota que as suporte - aiai, como sou despeitada!! Como é fácil de perceber, eu não tive essa sorte. E já desisti! Prefiro ocupar minha cabeça com outra coisa menos complexa. Meu dia já começou muito ruim pra eu ficar inventando problema. Vou para o ponto de ônibus. “Misera” de “busú” que parecia que nunca ia chegar, tive que ficar 32 minutos esperando. E ainda dei a sorte de sentar na frente de um idiota que ficava falando qualquer merda sobre qualquer coisa que via. E pior: ficava cantando com uma voz ridiculamente fora do ritmo. Ah! Vai à merda, vai! Nunca agradeci tanto a Deus por descer de um ônibus. Pelo menos na faculdade correu tudo bem – fora a demora do ônibus pra eu voltar pra casa. É dose, viu: encalhada e ainda pedreste! Ow vidinha... Chego em casa e a porcaria da internet sem querer funcionar. Aí foi o fim pra mim. Fico sem comer, mas não fico sem internet. E não, isso não é exagero. Verdade mesmo!! Pronto, agora eu estava prestes a matar um. Fiquei torcendo pra alguém esbarrar em mim sem querer, pisar no meu pé, qualquer coisa, pra que eu pudesse descarregar minha raiva. Pena que não dei sorte. Sobrou pra minha mãe mesmo coitada, que ouviu que foi uma beleza. Mal aew, mãe...Fiz de um tudo, até conseguir colocar a miserável da internet pra funcionar. E “aah, que bom!! Pegou!!”. Só assim eu consegui me acalmar um pouco, rir com algumas bobagens ditas no msn e ouvir Laura cantando, sempre ela, com aquela voz que me acalma. “Tô” em paz agora. Mas não abusa, “tá”?? Qualquer coisa e eu explodo de novo.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Em silêncio

°NÃO, eu NÃO estou amando!!


Ela o amava.
E ele??
Ah, ele nem sabia,
Nem sequer desconfiava.
Era amado sem perceber
E sem querer a cativava.
Seu silêncio a apreendia.
Queria saber o que ele pensava a seu respeito.
E ela sempre se surpreendia
Quando ele a cumprimentava sem jeito.
Queria poder falar mais um pouco.
Mas o quê??
Ficava sempre calada,
Pois nunca sabia o que dizer.
Sorria tímida, ruborizada.
Ele sorria de volta.
Só isso, mais nada.
E esperava pelo outro dia,
Procurava um motivo para falar,
Inventava de cruzar o seu caminho,
Se não para um sorriso,
Ao menos um olhar.
E quão triste ela ficava
Quando ele não a percebia.
Apenas isso bastava
Para arruinar todo o seu dia.
Mas não podia exigir nada,
Nem sequer pestanejar,
Pois o castigo de amar calada
É sofrer sem reclamar.

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