sexta-feira, 20 de junho de 2008

Eu nunca quis

Mais uma vez, eu fui olhar aquela sua foto. Acho que por puro costume. Às vezes eu a vejo, mas meu olhar não penetra o seu e eu já nem te percebo. É algo automático: minhas mãos sempre buscam na minha bagunça, vasculham a velha caixa de cartas, até encontrarem aquela foto sua. Sem querer, sem perceber, e quando eu me dou conta, já estou admirando o seu sorriso, um pouco torto e forçado, mas ainda assim, lindo. Eu odeio essa sua barba e essa sua cara despreocupada, de quem não está aí para nada. Mas adoro a sensação de paz que você me passa, até mesmo a confusão que você faz se instalar em mim. Sinto falta das suas palavras firmes, da sua certeza de tudo e da sua vontade de abraçar o mundo. Sempre crítico, sempre enxergando além, sempre vendo coisas em mim que ninguém mais era capaz de ver. Tão normal se sentir especial ao seu lado. Tão bom, mas ainda assim desnecessário. Eu não precisava sentir nada de diferente em mim, pois sentir você me bastava. E como uma brisa suave, seu cheiro bate à minha janela e eu ponho a cara na rua para poder senti-lo. É cheiro de amor: leve, suave, mas preciso, conciso, entorpedecedor. E ele me envolve com tamanha exatidão, que posso até sentir os pêlos do nariz arrepiarem. Então eu lembro que um dia esse amor me fez uma visita, radiante, extremamente agradável, porém breve. E na sua passagem, ele me deixou um gosto. Ah...! Que gosto! Era gosto de felicidade. Eu poderia experimentá-lo quantas vezes fosse e ainda assim ele não me enjoaria. Só que ele se cansou de mim e de saciar o meu paladar. Saudade: é só o que me resta. As lembranças me prendem e a memória me empresta: beijos dados, abraços nos fins de noite, carícias, a mão perdida no rosto e os olhos fechados, como para senti-la melhor. Por que você se foi? Por que eu deixei você ir? Eu não poderia, eu não deveria, eu nunca quis.

2 comentários:

Alguém disse...

ele foi embora mas eu voltei rrsrsrs

Anne disse...

Hihihihi!!