quarta-feira, 2 de julho de 2008
Nada o fazia dormir naquela madrugada fria de domingo. Nem mesmo o imenso cansaço no corpo, abatido pelas incertezas do coração. Pensava, virava na cama, olhava para o teto, para o nada. E era nada mesmo que conseguia fazê-lo dormir. Levantou-se. Os pés descalços, o chão frio e o inevitável arrepio. Dirigiu-se para a varanda, para encarar o frio de frente, enquanto em sua mente fervilhavam trilhões de idéias. Ela. Insistentemente, ela visitava os seus pensamentos, rondava silenciosa e ousadamente as suas lembranças, como um vulto na escuridão. Perigosa. Decidida. Teimosa. Amar alguém assim era um verdadeiro risco. E, sem querer - ou querendo mesmo -, ele arriscava-se todos os dias. Ela tirava o seu sono. Mas quando estava com ela, era como se pudesse descansar corpo, alma e espírito de uma só vez, recuperar as noites perdidas e a paz de que precisava o seu coração. Sofria por causa dela. Não queria mais ninguém, porque seu amor era ela... ela era. E como todo amor, trazia na bagagem incertezas, felicidade e sofrimento. Porque ela era amor de corpo inteiro: verso, inverso e avesso. E era disso que ele gostava. Era isso que ele odiava. Porque amá-la era tudo, era o melhor e o pior do mundo. Mas no fundo - talvez nem tanto assim -, ele gostava desse pouco de inferno no céu que ela era. Adorava os tempos de paz em suas guerras, suas batalhas de amor e ciúmes. Mas ele gostava porque não era alguém qualquer. Era ela... ela era... ela foi... motivo, incerteza ou cansaço maior que o fez dormir ali, na varanda mesmo, com os pés e as mãos já roxos de frio e a cabeça cheia, mas cheia mesmo de dúvidas.
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