quarta-feira, 26 de maio de 2010

O delator

Por quais cantos posso chorar à vontade?
E em qual sombra posso esconder minha tristeza?
O quê dos muros e das cores dessa cidade
Vai encobrir a minha, outrora, alma seca?
Quero sofrimento privado,
Maquiagem nos olhos e firmeza nos dedos
Meu coração, nesse atual estado,
Merece ser mantido em segredo.
Mas me entregas, sorriso fingido!
Sempre denuncias o vazio que eu carrego
E eu já nem posso sofrer em sigilo,
E esconder o meu, agora, ferido ego.
Não te contentas com um esboço,
E, amarelo, escarnece-me sem pudor
Oh! Sorriso falso, embaraçoso,
Por que delatas a minha dor?

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